Mostrar mensagens com a etiqueta Sobrevivência. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sobrevivência. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 28 de março de 2014

“A Internet virá abaixo e viveremos ondas de pânico”, diz Dan Dennett, respeitado filósofo norte-americano


Dan Dennett (Boston, 1942) é um homem pausado. Com barba branca, aspecto de catedrático entranhável e andar tranquilo, ninguém esperava quando subia os degraus até o palco do TED que o respeitado filósofo norte-americano estava a ponto de pronunciar um discurso que ressoa ainda pelos corredores do teatro construído pelo arquiteto David Rockwell: “A Internet cairá e quando isso acontecer viveremos ondas de pânico mundial. Nossa única possibilidade é sobreviver às primeiras 48 horas. Para isso temos de construir —se me permitem a analogia— um bote salva-vidas”.

Os botes salva-vidas são, segundo Dennett, o antigo tecido social de organizações de todo tipo que se viram (quase) aniquilados com a chegada de Internet. “Algumas tecnologias nos tornaram dependentes e a Internet é o máximo exemplo disso: tudo depende da rede. O que aconteceria se ela caísse? Nos Estados Unidos tudo desabaria em questão de horas. Imagine: acordar e a tevê não funciona. Obviamente não tem sinal no celular. Você não tem coragem de pegar o carro porque não sabe se essa vai ser sua última reserva de gasolina e os únicos que se prepararam para isso são todos esses malucos que constroem bunkers e armazenam armas. Certeza de que queremos que eles sejam nossa última esperança?”.

Dennett, famoso por suas teorias sobre a consciência e a evolução, e considerado um dos grandes teóricos do ateísmo, não mantém —explica a este diário— um tom alarmista, e também não quer ser acusado de catastrofista: “O que digo não tem nada de apocalíptico, pode falar com qualquer especialista e lhe dirá o mesmo que eu, que é questão de tempo a rede cair. O único que digo é que deveríamos preparar-nos: antes costumava haver clubes sociais, congregações, igrejas, etc. Tudo isso desapareceu ou vai desaparecer. Se tivéssemos outra rede humana pronta... Se você soubesse que pode confiar em alguém, em seu vizinho, em seu grupo de amigos, porque previram a situação, não estaria mais tranquilo?”, pergunta Dennett, sentado em uma cadeira e acariciando-se a barba enquanto mastiga cada palavra.

O filósofo tem certeza: “a Internet é maravilhosa mas temos que pensar que nunca fomos tão dependentes de algo. Jamais. Ao pensar a respeito, é bastante irônico que o que nos trouxe até aqui possa levar-nos de volta à idade de pedra”, argumenta.

O professor na universidade de Tufts, considerado dono de uma das mentes mais brilhantes das últimas décadas, tem claro como chegamos até aqui: “Da invenção da agricultura, há 10.000 anos, a cultura evoluiu de um modo puramente darwiniano mas a chegada da tecnologia acelerou esse processo até um ponto imprevisível. Quem compra música agora? E livros? O mesmo pode ser dito do cinema ou de qualquer outra disciplina artística. O papel da cultura mudou completamente, exatamente o mesmo que acontece com a religião. E a tecnologia tem um papel muito relevante em tudo isso”.

E pergunta-se: “Isso tem solução?”. E responde: “Claro, os humanos somos incríveis prevenindo catástrofes. O que acontece é que ninguém recebe uma medalha por algo que não aconteceu. Os heróis são sempre os que atuam a posteriori, mas não tenho nenhuma dúvida de que a humanidade saberá se preparar para o que está por chegar. Há 20% de possibilidades de que esteja equivocado, também podemos nos agarrar a isso”.

Fonte: ElPaís

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

No Recife, infância perdida na lama e no lixo

Paulinho quase se confunde com os entulhos que tomam conta do Canal do Arruda, cena que choca e revolta. 

A história dos meninos cujo cotidiano é catar latas na imundície do Canal do Arruda 

Eles nadam onde nem os peixes se atrevem. De longe, suas cabeças se confundem com os entulhos. Pela falta de quase tudo na terra, mergulham no rio de lixo atrás da sobrevivência. Lá sim tem quase tudo: latinhas, garrafas, papelão, móveis velhos, restos de comida, moscas, animais mortos. Menos dignidade. Lá, no Canal do Arruda, Zona Norte do Recife, o absurdo é rotina. Anfíbios e miseráveis catam sonhos onde o pesadelo é retrato soberano. São três meninos da comunidade Saramandaia, melados até o pescoço da lama do abandono, numa área que o prefeito da capital, Geraldo Julio (PSB), elencou como prioridade de sua gestão e que, até agora, não viu resultados senão promessas.

Paulinho nada com dificuldade em meio ao lixo e à lama. 

Geivson fica perdido em meio ao rio de lixo. 

O sol inclemente não intimida. É preciso aproveitar a maré baixa, quando os resíduos se acumulam. A cena choca, intriga, envergonha. Em pleno 2013. Em plena capital pernambucana. Aos olhos de todos. O Canal do Arruda, foz de boa parte do lixo recifense, é a mina de ouro de Paulo Henrique Félix da Silveira, 9 anos; Tauã Manoel da Silva Alves, 10; e Geivson Félix de Oliveira, 12, unidos pelo sangue, pela necessidade e pela indiferença do poder público.

Paulinho joga a lata colhida para Geivson, que a coloca na sacola. 

Moram em dois barracos na comunidade de Saramandaia, também na Zona Norte, e não hesitam em entrar no fosso. Antes, era só para tomar banho, diversão infantil ocasional. Há mais de ano, passou a ser ganha-pão. Paulinho via as cerca de cem famílias que trabalham com reciclagem na região e decidiu tomar o mesmo caminho. Encontrou seu nicho, o pior de todos, e arrastou os primos.

De longe, Paulinho quase não é notado. Parece parte daquele monte de entulhos.

Paulinho, Galego e Geivson, embora exemplos radicais da realidade, não estão sozinhos. De acordo com o perfil dos catadores brasileiros elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), baseado no Censo 2010, 3,6% dos 20.166 pernambucanos que trabalham com reciclagem têm entre 10 e 17 anos. São, oficialmente, só 726 crianças e adolescentes no Estado que tiram seu sustento do lixo. Nas cifras do trabalho infantil em geral, o número sobe para 1.329.229. Na faixa etária dos pequenos catadores de Saramandaia, até 13 anos de idade, há 665.500 pernambucanos trabalhando, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).



O trio se acotovelava entre dejetos mil para catar latas de alumínio e garantir o alimento de duas famílias com, ao todo, 18 pessoas. Nadava em meio a tudo que a cidade vomita. Paulinho, o menor e mais astuto dentro d’água, tapava a boca com veemência. Tinha noção exata do risco que corria. Ainda não sabe ler, mas conhece da vida o suficiente para não deixar entrar uma gota sequer daquela lama de cheiro insuportável e chamariz de doenças. Febre e diarreia são constantes.

O lixo lhe cobria o pescoço. A cabeça erguida com dificuldade denunciava que ele estava ali, quase sumindo entre materiais recicláveis, comida descartada, brinquedos quebrados, roupas velhas, sacolas e tudo mais que se possa imaginar. Parecia parte daquilo. Geivson, o mais velho, acompanhava o primo Paulinho na missão inglória e diária.

Tauã, chamado por todos pelo apelido de Galego e irmão de Geivson, foi o único que não teve coragem de se embrenhar no meio do canal. Na beira, um pé lá e um pé cá, cumpria sua função na engrenagem do absurdo: recolhia as latas catadas pelos outros dois. Quando precisava ir mais no fundo para pegar algo que caiu, reclamava: “Não quero me sujar”. Juntava tudo em um saco de farinha que é quase de sua altura.

De longe, Paulinho quase não é notado. Parece parte daquele monte de entulhos. 

Galego é o único que não entra no canal. Tem medo. 

Meninos de Saramandaia sobrevivem do que catam no lixo. 

Um saco cheio de lata vale cerca de R$ 5.

Paulinho é o mais astuto dentro do canal.  

O trabalho costuma durar horas, até a maré permitir. Findo o serviço, lavam-se no lado menos poluído do fosso. “Tem que se limpar, né?”, frisa Paulinho, banhado de inocência. À tarde, eles trocam o que cataram num galpão de reciclagem localizado em Saramandaia mesmo. As latas saem tão sujas de lama que nem o depósito aceita. É preciso lavá-las antes. “A gente tira uns R$ 5 por dia”, gaba-se Geivson. Em dia ruim, o esforço rende apenas R$ 1. Paulinho queria comprar biscoitos. Galego e Geivson prometeram entregar o dinheiro à mãe. Invejaram o primo.

Num mesmo barraco, moral 10 pessoas. Numa mesma cama, dormem seis. 

No rio de lixo, encontram de tudo: bola, carrinhos e bonecas; galinha, cachorro e gado morto. Até jacaré já foi visto pelas cercanias, prova de que o risco vem de todos os lados.

Apesar de todas as dificuldades, os garotos não perderam a capacidade de sonhar. 

Algumas feridas abertas na pele desvelam doenças trazidas pela água suja – Galego tenta esconder com a mão uma dermatite perto da boca; os outros têm pés e canelas cortadas por cacos de vidro. Outras feridas, invisíveis, se revelam numa conversa mais demorada. “Se a vida é assim, fazer o quê? Vai ter que ser. A gente só faz isso porque precisa. Seria bem melhor se não precisasse”, reflete Galego. Achou a resignação no meio do lixo.



PS - E-mails relativos a ajudas aos garotos podem ser enviados para o wsarmento@jc.com.br.
Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Fonte: JC.Online

sábado, 2 de novembro de 2013

Série fotográfica mostra o resultado da inconsciência do ser humano ao jogar lixo nos lugares errados


Esta série fotográfica é de cortar o coração. Trabalhado por Chris Jordan, o Midway é uma exposição assustadora do resultado da inconsciência do ser humano quanto à má educação em jogar o lixo por aí e também o consumo desenfreado.


No atol de Midway, no vasto Oceano Pacífico, um conjunto de ilhas com mais de dois mil quilômetros do continente mais próximo, Chris Jordan retrata a morte de milhares de albatrozes que foram alimentados por seus pais que confundiram o lixo flutuante com comida.  Uma tragédia ambiental espantosa!


“Para mim, ajoelhado sobre as carcaças dos albatrozes, é como olhar para um espelho macabro. Estas aves refletem um resultado espantoso do transe coletivo do nosso consumismo e do crescimento industrial descontrolado.“, diz Chris Jordan.

O fotógrafo tem visitado este lugar com uma equipe e iniciou o projeto de um filme intitulado A Jornada Midway. Este, tem como objetivo fazer o telespectador sentir as justaposições de uma beleza deslumbrante e o nascimento da morte de milhares de albatrozes. Uma visita guiada às profundezas dos nossos espíritos que entrega uma mensagem profunda de reverência a amor que já está atingindo pessoas de todo o mundo.


















O albatroz está entre as maiores aves do mundo e voam grandes distâncias com pouco esforço. Vale aqui uma reflexão sobre sua educação em relação ao seu lixo produzido e, também, sobre seu consumo.

Fonte: Hypeness

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Governo deixa vencer remédios para tratamento de HIV


Medicamentos que deveriam abastecer a rede pública de saúde estavam sendo levados para serem incinerados. Caminhão foi flagrado pelo Ministério Público.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) encontrou remédios para o tratamento de HIV e hanseníase fora do prazo de validade na Central de Abastecimento Geral da Secretaria Estadual de Saúde, em Niterói, Região Metropolitana do Rio. Promotores foram ao local nesta segunda-feira após receberem informação de que os medicamentos seriam incinerados. Ao chegar, viram um caminhão já carregado que se preparava para deixar o galpão.

Um dos promotores que acompanhou a operação relatou ao site de VEJA que havia toneladas de remédios vencidos, além de outros materiais como sondas, luvas e gazes. Também havia antibióticos e leite específico para crianças com intolerância ou alergia à proteína - cada unidade custa cerca de 100 reais.

A central foi interditada e policiais reforçaram a segurança para que nenhum medicamento fosse retirado. O Ministério Público vai periciar os medicamentos e instaurar uma ação criminal para verificar de quem é a responsabilidade por seu armazenamento. O caso foi registrado na 77ª DP (São Gonçalo).

Prefeitura - No dia 7 deste mês de outubro, outra operação do Ministério Público, na Zona Norte da cidade, encontrou em um depósito da prefeitura centenas de caixas de medicamentos, vacinas, soros e leites especiais também com a data de validade vencida.

Entre os itens, estavam substâncias caras, como remédios para soropositivos, material cirúrgico, suplementos para crianças com intolerância alimentar e até fraldas descartáveis. Os medicamentos, encontrados em um depósito no bairro do Rocha, deveriam ser usados em hospitais e postos de saúde da rede municipal de saúde.

Fonte: Abril - JuleAraujo

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Secretário geral da INTERPOL: "Armem globalmente os cidadãos para prevenir Ataques Terroristas"

Golpe poderoso de relações públicas contra o  lobby de controle de armas

O Secretário-Geral da Interpol Ronald Kenneth Noble disse à ABC News que uma das únicas maneiras de impedir os terroristas de atingir alvos desarmados (soft-targets no original em inglês) seria armar cidadãos globalmente, observando que o cerco ao shopping Westgate teria sido impedido muito mais rápido se tivesse ocorrido em áreas "amigáveis a armas" como Denver ou Texas.

As declarações de Noble são uma poderosa refutação ao lobistas anti-armas, especialmente tendo em conta o seu passado. O chefe da Interpol era chefe de todos os policiais do Departamento do Tesouro dos EUA.

Salientando que "cidadãos armados" era a única opção além de tornar alvos fáceis, como shopping centers em enclaves cercados por "extraordinários" perímetros de segurança, Noble sugeriu que o cerco no Quênia, que se arrastou por dias e terminou no massacre de 60 civis, representou um grande golpe de relações públicas para os defensores do controle de armas.

"Pergunte a si mesmo: Se fosse Denver-Colorado, se fosse no Texas, esses caras seriam capazes de passar horas, dias, disparando em pessoas ao acaso?" Noble disse, referindo-se aos estados com tradições pró-armas. "O que estou dizendo é que isto faz com que a polícia ao redor do mundo questione as suas opiniões sobre o controle de armas. Isto faz os cidadãos questionarem as suas opiniões sobre o controle de armas. Você tem que perguntar a si mesmo : 'Seria uma cidadania armada mais necessária agora do que era no passado, com uma ameaça de terrorismo em evolução?' Isso é algo que tem que ser discutido."

"Para mim, é uma questão profunda", continuou ele. "As pessoas são rápidas para dizer 'controle de armas, as pessoas não devem estar armados', etc, etc. Eu acho que eles têm que se perguntar : 'Onde é que você queria estar? Em uma cidade onde havia controle de armas e nenhum cidadão armado se você estiver em um shopping Westgate, ou em um lugar como Denver ou Texas? "

Como já relatado no mês passado, um soldado da SAS fora de serviço e armado com um revólver ajudou a salvar pelo menos 100 vidas durante o cerco de Westgate, retornando para o prédio uma dúzia de vezes para resgatar reféns.

O argumento de Noble de que armas nas mãos de cidadãos responsáveis ​​podem evitar derramamento de sangue é apoiado por estatísticas sólidas.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Defesa Pessoal de 1993 realizado por Gary Kleck, Ph.D., professor da Escola de Criminologia e Justiça Criminal da Universidade do Estado da Flórida, em Tallahassee, os americanos usam armas para se defender contra um confronto com um criminoso até 2,5 milhões de vezes por ano.

Isto significa que todos os dias nos Estados Unidos cerca de 6.800 pessoas usam armas para se proteger.

Estudiosos Clayton E. Cramer e David Burnett documentaram como "um grande número de tragédias - assassinatos, estupros, assaltos, roubos - foram frustrados pelo uso de armas de defesa pessoal."

Fonte: Fórum Anti-NOM - InfoWars - ABC-News

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Clérigos autorizam sobreviventes da guerra síria a comer carne de cachorro


Um grupo de clérigos sírios emitiu um decreto religioso, conhecido como fatwa, permitindo que sobreviventes da guerra comam tipos de carnes normalmente proibidas pelo Islã.

Em um vídeo, os líderes religiosos aparecem dizendo que os moradores de Ghouta, uma região agrária próxima de Damasco, podem comer gatos, cachoros e burros para evitar que morram de fome.


Os clérigos disseram que a fatwa é também um alerta para o mundo todo, acrescentando que se a situação continuar a se deteriorar, os sobreviventes não terão outra alternativa a não ser comer os mortos. A mensagem coincide com o feriado muçulmano de Eid al-Adah – que normalmente é uma época de celebração.

Fatwas semelhantes já foram emitidas em outras cidades sírias, como Homs e Aleppo, quando o conflito se agravou nesses locais.

Fome extrema

O decreto religioso foi divulgado em meio a uma crise de fome extrema no subúrbio de Muadhamiya, na capital síria, que é controlado pelos rebeldes e está cercado.

Agências de ajuda humanitária fizeram um apelo ao governo do presidente Bashar Al-Assad, para que permita a entrada de seus funcionários na região, onde muitos moradores estão presos.

Centenas de civis, alguns carregando macas, conseguiram fugir de Muadhamiya no fim de semana, após um cessar-fogo temporário.

'Situação absurda'

Segundo agências de ajuda humanitária, fornecer alimentos e outros mantimentos nessas áreas sob ataque deve ser tão prioritário quanto programas para desmantelar o arsenal de armas químicas da Síria.
O diretor-geral da ONG Médicos Sem Fronteiras, Christopher Stokes, descreveu como “absurda” a situação em que inspetores de armas químicas foram autorizados a se locomover livremente em áreas em que as condições dos civis eram desesperadoras e os comboios humanitários foram proibidos de circular.
Centenas de pessoas foram mortas em 21 de agosto, quando foguetes carregando gás neurotóxico foram disparados nas regiões de Zamalka, Ein Tarma e Muadhamiya. Os inspetores não determinaram quem foi o responsável pelo ataque químico – governo e rebeldes acusam uns aos outros pelo crime.

Fonte: BBC