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segunda-feira, 7 de abril de 2014

União Europeia mira América Latina e África para resistir à China


A construção de um "triângulo estratégico" formado por África, América Latina e Europa é uma hipótese já defendida por analistas e dirigentes regionais e que, se saísse do papel, permitiria à União Europeia (UE) resistir à crescente influência da China.

Ex-ministros, diplomatas, responsáveis de organismos internacionais e empresários se reuniram nesta segunda-feira em Lisboa para debater as possibilidades de intensificar as relações entre estes três blocos; uma aliança não isenta, no entanto, de desafios e dificuldades.

Um estudo elaborado pela empresa de consultoria Accenture em 2013 e cuja última atualização foi apresentada neste fórum revela que o potencial do triângulo "deve estar baseado não só em termos de vitalidade econômica", mas também em questões de índole social e cultural.

Razões de equilíbrio demográfico, de busca de recursos naturais e de proximidade cultural são, de acordo com este relatório, as principais "vantagens competitivas" que seriam proporcionadas por esta aliança às três regiões, que juntas representam cerca de 2,3 bilhões de pessoas e 133 países.

O documento ressalta, no entanto, que o papel que a UE ocuparia neste triângulo "tem que ser definido com maior clareza", já que, enquanto se decide, "continua perdendo terreno em relação à Ásia, tanto em nível de comércio como de investimento".

A sombra da China é alongada neste cenário porque se transformou no principal investidor direto na África e aumentou recentemente sua presença na América Latina, enquanto na Europa 70% das exportações é intracomunitário.

O fórum, organizado pelo Instituto Português para a Promoção do Desenvolvimento da América Latina (IPDAL), reuniu representantes do Mercosul, da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), da Aliança do Pacífico, da União Africana (UA), da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), da Comissão Europeia e da Fundação UE-América Latina e Caribe (UE-ALC).

O triângulo entre os blocos é, segundo o vice-presidente do Real Instituto Elcano da Espanha, Rafael Estrella, um "conceito geopolítico criado para ser instalado no imaginário coletivo" que pode contribuir, no médio e longo prazo, em um reforço das relações.

Em declarações à Efe, Estrella lembrou que foram Espanha e Portugal os que "colocaram a América Latina no radar da UE" e hoje o velho continente é seu principal investidor.

"Com a África, a UE não soube atualizar essa relação paternalista e não soube responder ao dinamismo de sua economia durante os últimos anos", advertiu.

Como exemplo dos benefícios desta relação citou o fornecimento, já que calcula-se que em 2035 os países "atlânticos" - agrupados na África, América e UE - produzirão energia suficiente para cobrir cerca da metade das necessidades mundiais.

A presidente da Fundação UE-ALC, Benita Ferrero-Waldner, fez especial insistência em deixar para trás os objetivos de curto prazo e olhar além, ressaltando a importância deste tipo de união para temas como a segurança e a luta contra o narcotráfico.

O ex-presidente de Cabo Verde e enviado especial na Tunísia pela UA em apoio a sua transição, Pedro Pires, elogiou a pujança de seu continente, o que, em sua opinião, permitiu um crescimento da classe média e uma melhora dos sistemas educacionais que fazem dele "um espaço econômico atraente", mas que segue sofrendo com um déficit de infraestruturas e desigualdade social.

Na Comissão Europeia, seu diretor-geral de Desenvolvimento e Cooperação, Fernando Frutuoso de Melo, declarou que o triângulo estratégico só terá futuro "se existir um apoio mais amplo" no seio da UE e "não se limitar a ser uma iniciativa de Portugal e Espanha".

O estudo da Accenture destaca a melhora das trocas comerciais entre ambas regiões e a presença de alguns de seus países nas listas dos que mais verão aumentar seu PIB em 2014 como motivos para o otimismo.

No entanto, "o aumento das exportações latino-americanas à Ásia" e o "excessivo entusiasmo" sobre o crescimento econômico nos dois blocos - "espera-se que sua contribuição ao crescimento mundial siga representando menos de 10% em 2050" - são apontados como dados a levar em conta sobre as possibilidades de construir um triângulo estratégico antes da hora.

Fonte: EFE

domingo, 6 de abril de 2014

Palestinos cristãos denunciam que Israel impede acesso ao Santo Sepulcro


Um grupo de associações comunitárias cristãs de Jerusalém Oriental denunciou neste domingo que Israel restringirá o acesso à Basílica do Santo Sepulcro durante a próxima Semana Santa em uma medida que considera discriminatória e racista, argumentos que a polícia israelense rechaça taxativamente.

"As medidas restritivas constituem uma grave violação da liberdade de culto", adverte um comunicado divulgado neste domingo pelas organizações, que incluem fraternidades, clubes sociais, comunitários e esportivos, assim como grupos de escoteiros, segundo o porta-voz Youssef Daher.

"Equivale à discriminação contra os cristãos porque as autoridades da ocupação desejam negar a presença cristã e criar a impressão que (Jerusalém) é uma cidade unicamente judia", destaca a nota, divulgada após uma reunião realizada no sábado para analisar o problema.

Israel, que controla a Cidade Antiga de Jerusalém desde 1967, impõe durante esta época do ano, na qual os cristãos lembram a Semana Santa e os judeus o Pessach (Páscoa), blitzes e controles policiais nas proximidades de todos os lugares santos, explicou à Agência Efe o porta-voz policial do Distrito de Jerusalém, Asi Aharoni.

"Bloqueamos os acessos ao recinto porque o perímetro é limitado e tentamos evitar que aconteçam tragédias e situações nas quais devido a um número grande de pessoas não possamos garantir a segurança do local", justificou.

Aharoni colocou como exemplo o fato de que durante momentos de grande devoção e com milhares de pessoas no templo cristão e seus arredores é possível acontecerem desmaios ou outros distúrbios nos quais as equipes de emergência devem poder atuar, razão pela que limitam o acesso.

As restrições são mais severas durante o Sábado de Aleluia, na qual os fiéis ortodoxos realizam a grande cerimônia do Fogo e da Água, na qual se acendem centenas de velas, o que representa um risco especial para a segurança.

Para as associações cristãs palestinas, trata-se de uma medida exagerada, similar à qual sofrem os fiéis muçulmanos que "não podem rezar livremente nem estar com suas famílias e amigos durante ocasiões especiais".

De acordo com Daher, em uma série de medidas restritivas introduzidas pela Polícia israelense em 2005, os cristãos também não podem subir até o teto da basílica, como costumavam fazer até então, nem ocupar durante a cerimônia do Fogo a parte exterior de acesso, onde caberiam outras 4 mil pessoas.

Durante este mês, o Ministério de Turismo israelense tem prevista a chegada de 125 mil visitantes, pouco mais que o ano passado, dos quais mais da metade costumam ser cristãos que desejam celebrar a Semana Santa.

Fonte: EFE

quinta-feira, 3 de abril de 2014

CPI da Petrobrás é uma farsa, diz Jarbas Vasconcelos


O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) afirmou durante discurso na tribuna do Senado, na noite dessa quarta-feira, 2, que o PT, o governo e parlamentares da base aliada da presidente da República uniram-se para acabar com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar irregularidades na Petrobrás. Disse que assinou o requerimento de criação da CPI e, ao perceber que está sendo feito de bobo, arrepende-se até do dia em que nasceu. Mas não vai retirar a assinatura. Ele atacou o PT, que tem afirmado a todo instante que o Senado não tem condições de apurar nada em relação à Petrobrás. Disse que tem procurado uma convivência civilizada com todos os partidos, mas não pode aceitar que o PT queira - a ele pessoalmente, e a outros partidos e parlamentares - "ensinar como se deve fazer política", sobretudo no campo ético. Vasconcelos lembrou que o PT está com sua antiga cúpula presa na Papupa, por causa do escândalo do mensalão.

"Eu não posso aceitar que um partido que está com a sua ex-cúpula, com José Dirceu, o ex-capitão do time de Lula recolhido na Papuda. O tesoureiro do partido (Delúbio Soares), que meteu a mão, comeu dinheiro, está na Papuda. José Genoino, que foi líder do partido, está na Papuda. O João Cunha - que presidiu a Câmara -, na Papuda."

Vasconcelos lembrou também que Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás, está preso. E foi ele que fez o contrato da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. "Eu era Governador do Estado, e a Petrobrás ficou de entrar com 60%, e a PDVSA (petroleira venezuelana) com 40%. Eu recepcionei, naquela época, o folclórico coronel Hugo Chávez e recepcionei o presidente Lula lá no Palácio das Princesas", disse o senador no discurso.

Segundo ele, a assinatura do contrato foi semelhante aos convênios feitos entre dois municípios dos mais inexpressivos do Brasil. "Um diz vamos abrir uma bodega, você entra com 60%, o outro bodegueiro entra com 40%. Depois, o que entrou com 40% diz que não vai pagar mais a bodega. E o bodegueiro aceita" , disse ele, lembrando que, como noticiou o Estado, a Venezuela não honrou sua parte no contrato. "Foi esse o contrato que foi feito num palácio. Esse documento tem minha assinatura como governador do Estado de Pernambuco".

Jarbas Vasconcelos lembrou que a CPI da Petrobrás, criada no Senado, deveria apurar tudo o que ocorreu, para saber por que foi que a PDVSA não pagou. "E, se não pagou, por que não pagou e qual foi a explicação que deu".

Ele afirmou que a PDVSA não tinha experiência em águas profundas, embora fosse uma empresa maior do que a Petrobrás na época. "Então, resolveu entrar no Brasil através do Porto de Suape e através da Refinaria Abreu e Lima. Nós ajudamos em tudo. Até o nome de Abreu e Lima fomos nós que sugerimos colocar, para sensibilizar ainda mais o coronel Hugo Chávez. Assim tudo foi feito. E por que a PDVSA não honrou o compromisso? E fica por isso mesmo".

Paulo Roberto da Costa, o responsável pelo contrato, foi chamado de "ladrão" por Vasconcelos. "Esse ladrão, camarada, está aqui acusado de receber dinheiro, uma Land Rover do senhor Alberto Youssef, um doleiro... Esse mesmo doleiro agora - segundo a imprensa - deu dinheiro, deu um voo especial para o deputado André Vargas (PT), do Estado do Paraná, que é nada mais nada menos do que primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados", lembrou o senador.

Em seguida, ele voltou a fazer críticas ao PT. "Então, como é que um partido que tem a ex-cúpula dirigente - o capitão do time de Lula - na Papuda quer dar lições de moral para a gente aqui?". Ele lembrou que o PT quer impedir que o Senado apure as irregularidades cometidas pela Petrobrás. Para o senador Jarbas Vasconcelos, o Senado vai ser ridicularizado. "Quer dizer, nós estamos reduzidos a um papel ridículo, ridículo. Era muito melhor deixar de ser senador da República, procurar outra coisa para fazer, porque, se a gente não pode...".

"É uma farsa dizer que o Ministério Público Federal está apurando isso. Não está apurando", afirmou Vasconcelos. Ele lembrou que uma comissão de senadores foi até o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedir a apuração.

Para Vasconcelos, do jeito que as coisas vão no Senado, a CPI não vai dar em nada. Por isso, afirmou que está arrependido até o dia em que nasceu. "Eu me arrependo da hora em que nasci quando assinei esta CPI. Eu não deveria ter assinado. Mas, em política, tudo o que a gente tem que explicar, a complicação já vem aí. Assim, se eu não tivesse assinado essa CPI, eu estava com a minha consciência tranquila, mas tinha que dar satisfação àqueles que confiaram em mim e aos meus amigos, porque aqui eu tenho a conduta que tenho e não assinei essa CPI".

"Essa CPI não vai dar em nada", continuou ele. "Essa CPI vai ser uma farsa! Em um ano de Copa do Mundo, de eleição, a gente vai compactuar com uma coisa que não vai funcionar - não vai funcionar! Então, é muito melhor a gente ficar em cima do Ministério Público para que se junte ao Tribunal de Contas, que se junte à Polícia Federal - essa Polícia Federal que está cerceada, essa Polícia Federal que o PT e o governo querem, os dois, que seja uma polícia de partido, uma polícia de governo, e não uma polícia de Estado. A Polícia Federal está completamente esvaziada. A Polícia Federal está esvaziada, sucateada; as pessoas estão deixando a Polícia Federal para irem para outras instituições porque o PT, hoje, quer que ela seja partidarizada; quer que, quando for fazer uma investigação para pegar pela gola um corrupto, primeiro avise para que as pessoas de interesse da base partidária também sejam avisadas".

Jarbas Vasconcelos afirmou que o PT pedia a instalação de CPI para qualquer coisa quando era oposição e que votou contra as boas iniciativas da política. "Eu não posso aceitar que um partido que pedia CPI contra tudo e contra todos, um partido que votou contra Plano Real, que votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, um partido que ameaçava entrar com CPI contra tudo e contra todos venha, hoje, querer ensinar a gente aqui a não fazer CPI, fazendo a gente de bobo, de tolo, de idiota."

O senador afirmou ainda que o setor elétrico está quebrado, "completamente quebrado pela presidente Dilma. Hoje sai, inclusive, uma injeção de R$8 bilhões a R$ 9 bilhões para atender o setor, que ela quebrou, para baixar as tarifas de luz e tirar proveito eleitoral dessa coisa".

Fonte: JusBrasil

Onda de linchamentos preocupa governo na Argentina


Uma série de linchamentos em várias partes do país está preocupando o governo da Argentina e levou a presidente, Cristina Kirchner, a fazer uma referência ao problema em um pronunciamento.

Nos últimos dez dias, a imprensa do país relatou pelo menos dez casos. Em algumas ocasiões, os alvos dos linchamentos ficaram em estado grave e pelo menos um resultou em morte.

"Precisamos de olhares e vozes que tragam tranquilidade, não de vozes que tragam desejos de vingança, de luta, de ódio, isto é ruim", disse Kirchner, fazendo uma referência indireta aos incidentes.

A presidente argentina responsabilizou "políticos mentirosos e sem escrúpulos" por incitar a violência.

"A violência gera violência, que se espiraliza", disse Kirchner.

Sergio Massa, prefeito de Tigre, líder do partido peronista Frente Renovador e um dos principais opositores do governo, acusou as autoridades argentinas de serem responsáveis pelos linchamentos.

"Estas situações ocorrem porque há um Estado ausente e a sociedade não quer conviver mais com a impunidade", disse.

"As pessoas precisam que o governo garanta o Estado de Direito e um sistema de sanções que reprima as condutas à margem da lei", acrescentou Massa, provável candidato à Presidência em 2015, quando chega ao fim mandato de Kirchner.

Insegurança

As afirmações de Massa refletem a frustração que toma conta de grande parte da sociedade argentina devido a uma onda de roubos violentos o país.

Não há estatísticas oficiais recentes, mas, nas últimas semanas, até políticos do governo admitiram que há um problema de insegurança no país, algo que até este ano era negado pela Casa Rosada.

Agora o debate é sobre como responder à preocupação dos argentinos com a violência.

Para alguns, os casos de linchamento são casos de "justiça com as próprias mãos". Para outros, mostram uma preocupante degradação social.

"Voltamos ao Velho Oeste", disse Alfredo, porteiro de um prédio que, há alguns dias, defendeu um homem suspeito de ter cometido um roubo e que estava sendo golpeado por vizinhos no bairro de Palermo em Buenos Aires.

"Se não tivesse protegido (o suspeito), o teriam matado. Estavam dando pancadas na cabeça, a intenção era matar", disse o porteiro ao canal de televisão argentino Todo Notícias.

No dia 22 de março, David Moreira, um jovem de 18 anos, morreu por causa dos golpes recebidos em meio a uma multidão no bairro da terceira maior cidade de Argentina, Rosário, na província de Santa Fé.

Moreira foi capturado por vizinhos depois de supostamente ter tentado roubar a carteira de uma mulher que carregava o filho no colo.

Desde a morte de Moreira, foram divulgados pelo menos nove casos de linchamentos em Santa Fé, Buenos Aires, Rio Negro, Córdoba e La Rioja. Apesar de não terem resultado em mortes, alguns resultaram em ferimentos graves para as vítimas.

Durante o fim de semana, também foi noticiado um outro caso em Rosário no qual dois homens foram golpeados por vizinhos depois de serem confundidos com ladrões.

Imprensa e responsabilidade

Alguns especulam que a grande atenção que estes casos receberam poderia estar estimulando a violência e até gerando um efeito de contágio.

Outros analistas responsabilizam a imprensa de aumentar o problema de insegurança no país.

"Se pode falar de insegurança, da impunidade, da inflação... mas como cidadão não gosto que o único (assunto) que se fale em meu país seja este", disse no domingo passado em um programa de televisão popular um dos atores mais famosos da Argentina, Guillermo Francella.

O comediante e ator do filme ganhador do Oscar O Segredo de Seus Olhos continuou afirmando que "vou à academia e faço ginástica assistindo televisão e, em uma hora, não há uma notícia boa sobre meu país... E não acredito que meu país seja assim, todo ruim".

A opinião do ator coincide com a da presidente Cristina Kirchner que, frequentemente, acusa os principais meios de comunicação do país de fomentar uma "cadeia nacional de ódio e desânimo".

Analistas de segurança consultados pela BBC afirmam que, apesar de a televisão ter um papel nesta onda de medo, há também no país uma sensação de impunidade.

"Desde o começo do ano, uma pessoa foi assassinada a cada 27 horas na província de Buenos Aires e uma pessoa morreu por dia em Rosário", disse Luis Alberto Somoza, especialista em políticas de segurança e professor do Instituto Universitário da Polícia Federal Argentina (Iupfa).

"As pessoas sabem que a capacidade punitiva do Estado foi perdida. (...) O delinquente entra e sai pela mesma porta porque há toda uma corrente benévola quanto à aplicação do direito penal, e o delinquente não teme o castigo. Hoje, o delinquente não tem medo de sair e cometer crimes porque tem certeza de que não vai acontecer nada", afirmou.

Mais violentos

O advogado Luis Vicat, que já foi comissário da Polícia de Buenos Aires, afirmou que o crime está mais violento devido ao ressentimento social e que as vítimas estão sendo "objetificadas".

Vicat calculou que cerca de 80% dos delitos têm relação com as drogas, algo que também torna os crimes mais violentos.

Em Rosário estima-se que pelo menos 200 assassinatos por ano sejam relacionados ao narcotráfico.

"Vamos caminhando para o que é o México, onde os vizinhos criaram defesas civis para se proteger dos crimes", disse.

Em seu discurso de segunda-feira, Cristina Kirchner reconheceu tacitamente que os crimes violentos têm um elemento de ressentimento social.

"Quando alguém sente que sua vida não vale dois pesos para o resto da sociedade, não podemos exigir que a vida dos demais tenha, para ele, um valor maior do que dois pesos", disse.

Muitos pedem mais ações da polícia ou penas maiores para os crimes. Mas a presidente afirmou que a solução passa pela ampliação da inclusão social.

"Não há melhor antídoto contra a violência do que conseguir que mais pessoas sejam incluídas", afirmou antes de anunciar novos programas sociais.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Embaixador da Ucrânia pede para que Brasil não fique "em cima do muro"


Em depoimento à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, nesta quarta-feira (27), em Brasília, o embaixador da Ucrânia no Brasil, Rostyslav Tronenko, cobrou que o governo brasileiro não se mantenha "em cima do muro" em relação à anexação da Crimeia, que era território autônomo ucraniano, à Rússia.

"O mundo e o Brasil devem ajudar a Ucrânia a enfrentar essa agressão flagrante. Pedimos que não fiquem em silêncio. A Ucrânia está pronta para dialogar e envolver negociadores internacionais, somos um povo de paz. Mas nunca vamos ceder e comprometer a nossa soberania. Ninguém está pedindo ao Brasil para comprar uma briga por causa da Ucrânia, mas não queremos que nosso parceiro estratégico fique em cima do muro, um país que pretende ocupar um lugar no Conselho de Segurança da ONU", afirmou o embaixador, em português -- Tronenko é casado com uma brasileira.

Esta não é a primeira vez que a Ucrânia apela para uma postura mais afirmativa do Brasil com relação ao caso. Em artigo publicado na imprensa brasileira, Rostyslav Tronenko pediu que o Brasil não fique em silêncio diante da anexação da Crimeia pela Rússia.

"Se isso for feito com a Ucrânia, qualquer coisa pode ser feita para qualquer outro país. Se for permitido que isso aconteça, então não existem regras e não há leis", escreveu.

Em entrevista ao UOL no último dia 8, Tronenko chegou a declarar ter "esperança de que Brasil também apoiará as aspirações do povo ucraniano para buscar a solução pacífica do conflito" -- algo que não aconteceu.

'Brics' motiva silêncio do Brasil

A última manifestação da diplomacia brasileira sobre o assunto foi na última quarta-feira (19), em nota protocolar afirmando que a crise deveria "ser equacionada pelos próprios ucranianos". A posição foi reforçada, no mesmo dia, pelo chanceler Luiz Alberto Figueiredo em Paris.

O argumento do Itamaraty para o silêncio diante da maior crise entre Ocidente e Moscou desde o fim da Guerra Fria é o de que o Brasil não costuma interferir em impasses políticos de outros países.

Mas, segundo especialistas ouvidos pela agência de notícias alemão Deutsche Welle, a posição brasileira reflete interesse político e econômico maior e tem como pano de fundo a estreita ligação do Brasil com a Rússia e com o grupo dos Brics (bloco de cooperação política formado por Brasil, Rússia, Índia e China).

"O Brasil está invocando uma noção vaga de 'não ingerência', um posicionamento que apresenta claras incongruências com o que o Brasil desempenhou em crises na América Latina, além de uma inflexão quanto ao papel que projetava para si durante o governo Lula", opina Marcos Troyjo, diretor do BricLab da Universidade de Columbia (EUA) e professor do Ibmec/RJ.

O especialista diz ainda que o Brasil, não apenas pela crise na Crimeia, vem perdendo brilho no cenário internacional. Há, para ele, percalços que abrangem três campos das relações internacionais: o econômico-comercial, o político-militar e o dos valores. E as consequências, afirma, são grandes: o "soft power" brasileiro irradia com menos força.

Fonte: JusBrasil / UOL

quinta-feira, 27 de março de 2014

Depois do Twitter, governo turco bloqueia acesso ao YouTube


O governo turco ordenou nesta quinta-feira o bloqueio do site YouTube, uma semana depois de ter feito a mesma coisa com o Twitter, depois da divulgação de novas gravações piratas que questionam o regime, informou a imprensa turca.

A decisão referente ao YouTube foi comunicada aos servidores de internet e as operadoras turcas, informou o jornal Hurriyet em seu site.

Na véspera, a justiça turca ordenou ao governo o fim do bloqueio do Twitter, motivo de uma enorme polêmica a poucos dias das eleições municipais de domingo, que parecem cada vez mais complicadas para o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan.

Um tribunal administrativo de Ancara, ao qual a oposição parlamentar e várias organizações não governamentais apresentaram recursos, considerou que a medida imposta pelo governo é "contrária aos princípios do Estado de direito" e ordenou à Autoridade Turca de Telecomunicações TIB) o fim do bloqueio.

O governo anunciou que iria acatar a decisão judicial.

Desde quinta-feira da semana passada, a TIB bloqueava o acesso à rede social, acusada pelo primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan de propagar as acusações de corrupção contra o governo.

Nos últimos dias, Erdogan tentou justificar a medida e denunciou "mentiras" e "ataques contra a segurança" do país.

"O Twitter deve respeitar a lei turca", disse.
"Não somos uma república das bananas", repetiu em vários comícios.

Na ocasião, o primeiro-ministro ameaçou fazer o mesmo com o YouTube e o Facebook.
O principal partido opositor, o Partido Republicano do Povo (CHP), comemorou a decisão.

"É impossível deixar que um regime totalitário silencie a tecnologia", disse um dos vice-presidentes do CHP, Mrehan Halici.

Os 12 milhões de internautas turcos conseguiram em sua maioria burlar o bloqueio da rede social. A decisão, no entanto, provocou uma avalanche de críticas à "censura" imposta pelo governo islamita moderado, no poder desde 2002.

Em um clima eleitoral tenso, a oposição acusou Erdogan de atuar como um "ditador" e de querer impedir o avanço das investigações de corrupção que afetam várias pessoas ligadas ao chefe de Governo.

O presidente turco Abdullah Gül, utilizador assíduo das redes sociais, criticou a medida.
"É uma situação desagradável para um país desenvolvido como a Turquia, um personagem regional de peso que está negociando com a União Europeia", disse o presidente.

Muitos países criticaram a decisão do governo.

O governo turco justificou o bloqueio total do Twitter com a impossibilidade de conseguir, apesar de "centenas" de decisões da justiça, que vários sites deixassem de divulgar trechos de conversas telefônicas gravadas ilegalmente que afetam Erdogan, aliados e ministros.

Nos últimos meses, o governo de Erdogan foi abalado por um vasto escândalo político-financeiro, que ele atribui a um rival político, o pregador muçulmano Fethullah Gülen, que mora nos Estados Unidos.

O primeiro-ministro respondeu com uma série de punições na polícia e na justiça, suspeitas de infiltração de "gulenistas", assim como com a provação de uma polêmica lei sobre o controle da internet.

Fonte: AFP

domingo, 23 de março de 2014

TV Revolta acusa Mídia Ninja de censurar vídeo de forma fraudulenta


O radialista João Vitor Lima, vlogueiro no Youtube e no Facebook, acusou a Mídia Ninja de ser responsável por um bloqueio fraudulento de um de seus vídeos.

Segundo João Vitor, a agência teria utilizado de um perfil falso para, fraudulentamente, alegar a detenção de direitos autorais sobre um vídeo, acarretando o bloqueio do mesmo e uma notificação ao canal, a qual poderia implicar exclusão da conta na rede social, se reiterada.

No ensejo, o radialista criticou a atuação da Ninja e acusou ligações com o Partido dos Trabalhadores (PT). O antigo canal TV Revolta, que contava com 58 mil seguidores, foi recentemente apagado do Youtube. Até o fechamento desta matéria, a Mídia Ninja não se pronunciou sobre o caso.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Dilma tinha acesso aos dados da compra de refinaria que causou rombo nas contas da Petrobras


O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Antonio Imbassahy (BA), protocolou nesta quinta-feira, 20, requerimento para pedir informações ao Ministério de Minas e Energia sobre o parecer técnico que embasou o voto favorável da presidente Dilma Rousseff à compra de 50% da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), pela Petrobrás, em 2006. Enquanto coleta assinaturas de apoio à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), a oposição pede no requerimento que o ministro Edison Lobão entregue cópias de todos os documentos sobre o negócio que custou R$ 1,18 bilhão à estatal.

Na solicitação, o tucano pede acesso ao resumo executivo elaborado pelo diretor da área internacional da Petrobrás que subsidiou a decisão do Conselho de Administração da estatal, então presidido por Dilma. O deputado solicita também a cópia da ata de reunião do conselho que definiu a compra da refinaria, além de pareceres e documentos que comprovam que o resumo era técnico e juridicamente falho.

O negócio de Pasadena é investigado pela Polícia Federal, Ministério Público e Tribunal de Contas da União (TCU). Conforme revelou o Estado, a presidente justificou em nota que "documentos falhos" a induziram ao erro ao dar aval à aquisição da unidade. Dirigentes da Petrobrás rebateram a afirmação e sustentam que Dilma tinha acesso a todos os documentos produzidos sobre a compra.

O requerimento da oposição diz que os fatos apontam que a compra da refinaria "foi decidida de forma imprudente, negligente ou inepta" e que há indícios de "gestão temerária". "A suspeita de gestão temerária é mais um episódio envolvendo a diretoria Internacional da companhia com possibilidade de prejuízo para acionistas", enfatiza o requerimento.

CPI. Nesta manhã, o líder da minoria na Câmara, deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), fez um apelo na tribuna para que os colegas assinem o requerimento de criação da CPI. "Não é simplesmente um mau negócio, é um negócio que lesa a pátria", enfatizou.

Ao chegar em seu gabinete, o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse que ainda não recebeu o projeto de resolução que pede a criação da CPI da Petrobrás. "Ainda não chegou esse assunto a mim. O TCU está examinando. Quando chegar, examinaremos", afirmou.

Fonte: Estadão

sexta-feira, 7 de março de 2014

Donos de veículos de luxo, vereadores e até um prefeito receberam verba voltada para agricultores que sofrem com a seca do Nordeste


Donos de veículos de luxo, vereadores e até um prefeito receberam verbas de um programa federal criado para socorrer pequenos agricultores prejudicados pela seca no semiárido nordestino.

Essas são algumas das irregularidades apontadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União) no Garantia-Safra, programa gerido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário que distribuiu R$ 1 bilhão em 2013.

Trata-se de uma espécie de bolsa paga pelo governo quando há problemas climáticos que impedem a colheita na região mais seca do Nordeste. No ano passado, cerca de 1,2 milhão de famílias de pequenos agricultores receberam R$ 850 cada, segundo o ministério.

Para receber o benefício, o agricultor tem que ter renda familiar de até 1,5 salário mínimo, além de preencher outros requisitos como, por exemplo, um tamanho máximo da propriedade. O cadastro é feito pelas prefeituras que aderem ao programa e os agricultores recebem o dinheiro em bancos públicos.

Os técnicos do TCU cruzaram as listas de beneficiários do programa entre 2012 e 2013 com outras bases de dados do governo federal e encontraram cerca de 35 mil cadastros com irregularidades em 2012 e outros 31 mil em 2013.

Segundo o órgão de controle, em 2012, cerca de 7,1 mil pessoas que ganhavam mais de 1,5 salário receberam o benefício. Outras 11,4 mil pessoas que tem algum vínculo com o poder público, entre eles um prefeito, um vice-prefeito e cinco vereadores, também receberam.

Os nomes e municípios não foram informados pelo relatório do TCU. As pessoas com cadastros considerados irregulares receberam, ao todo, R$ 66 milhões. O TCU também encontrou 135 mil beneficiários proprietários de veículos. A maioria tem motocicletas, mas o órgão determinou que esses cadastros sejam investigados porque, entre os que receberam a verba federal, há também donos de carros de luxo como Tucson, Pajero e Hilux.

Os técnicos do TCU elogiam o programa no relatório dizendo que ele representa "uma evolução positiva das práticas anteriormente existentes de clientelismo e assistencialismo no combate à seca", mas afirmam que seu planejamento é falho e que o ministério não tem pessoal e meios adequados para controlar o cadastro.

O relator do processo, ministro José Múcio Monteiro, determinou que o Ministério do Desenvolvimento Agrário, que cuida do cadastro, inicie um processo de análise do sistema, exclua beneficiários irregulares e cobre de volta os recursos pagos a quem não poderia receber.

OUTRO LADO

O ministério do Desenvolvimento Agrário informou, por meio de nota, que União, Estados e municípios têm responsabilidades no programa e que "auditorias externas e os acompanhamentos internos são razão de aperfeiçoamento de procedimentos e melhora na gestão, com mais eficiência e transparência".

Fonte: Folha Uol

TV Colombiana mostra virais da internet que incluem DILMA ROUSSEFF na lista de líderes políticos cúmplices do massacre que ocorre a mando do ditador comunista da Venezuela


O vídeo abaixo reproduz um quadro do noticiário político do canal internacional de notícias NTN24, da Colômbia que também pode ser visto pela internet ao vivo. O vídeo serve para comprovar o que sempre afirmo aqui no blog em relação à maioria dos veículos da grande mídia brasileira e também internacional.



O NTN24 colecionou uma série de virais que circulam pelas redes sociais denunciando a cumplicidade de líderes políticos e da própria Organização dos Estados Americanos (OEA), dirigida pelo velho comunista chileno José Miguel Insulza, porém não tão comunista como exigem o PT e seus satélites Aliás, o Foro de São Paulo, chefiado pela quadrilha do PT, deseja acabar com a OEA. O bando de psicopadas tem a ambição de tornar o planeta comunista.

Não poderia deixar de mencionar o destaque dado à "presidenta" Dilma Rousseff, vestida a caráter, isto é, com um touca ninja, e acusada de ser cúmplice nos assassinatos e torturas que vêm sendo infligidos aos manifestantes e políticos venezuelanos.

No site do Youtube onde está postado o vídeo choveu comentários. E, como não poderia deixar de ser, os psicopatas esquerdistas, o que é uma redundância...hehe... postaram suas palavras de ordem. Um deles escreve, como mostra o facsímile abaixo: "Hasta la victoria siempre !!y fuera la extrema derecha de Latinoamérica", e logo abaixo recebe a queima roupa uma resposta curta e grossa: "Mas un tonto bobolivariano, esa revolución comunista no produce ni papel para limpiar la mierda que hace". Vejam:


terça-feira, 4 de março de 2014

Washington congela suas relações militares e comerciais com a Rússia


O Ocidente observa com temor como a crise ucraniana pode levar a um conflito mundial. A Europa e os Estados Unidos se movem para evitar uma guerra às portas da União Europeia, embora que, no momento, as medidas para intimidar a Rússia sejam escassas. Nesta segunda-feira, Bruxelas desistiu da penalização a Moscou pela invasão da península da Crimeia, enquanto Washington suspendia as negociações de acordos comerciais e investimentos pendentes com Moscou, e o Pentágono anunciava o cancelamento das operações militares conjuntas, horas depois do presidente Barack Obama assegurar, em duras declarações, que iria estudar medidas para isolar a Rússia. Além de elevar o tom, a UE sabe que não é fácil assustar o presidente russo, Vladimir Putin, e por isso decidiu dedicar-se a fundo ao diálogo. Se não houver avanço, os chefes de Estado e de Governo se planejam para dar um passo a mais em reunião de cúpula extraordinária convocada para quinta-feira.

A Rússia ameaçou nesta terça-feira reduzir “a zero” sua dependência econômica dos EUA se Washington lhe impor sanções pela crise na Ucrânia. Segundo as declarações do porta-voz do Kremlin Serguei Glaziev à agência Ria-Novosti, a medida provocaria a quebra do sistema financeiro norte-americano: “Encontraremos uma maneira tanto de reduzir a nossa dependência financeira do Estados Unidos como conseguiremos tirar proveito da imposição de sanções”, acrescentou Glaziev. Uma fonte do Kremlin qualificou pouco depois à agência pública Ria-Novosti que as declarações obedecem a uma opinião pessoal e não a posição oficial do Kremlin, informa France Presse.

A estratégia de pressão da Casa Branca para frear Putin foi mais adiante nesta segunda-feira. Ao meio-dia, Obama assegurou que se Moscou continuasse no caminho iniciado na Ucrânia, seu país tomaria uma série de passos – econômicos, diplomáticos... – que “isolariam a Rússia”. O presidente dos EUA assegurou que “o mundo concorda, em grande maioria,que os passos dados pela Rússia supõem uma violação da lei internacional” e de acordos prévios “assinados pela Rússia”.

Na última hora de segunda-feira, Washington começava a colocar em prática essas medidas. Depois de uma reunião com o Conselho de Segurança, a Casa Branca anunciou que suspenderia todas as reuniões previstas com Moscou para impulsionar os investimentos e o intercâmbio comercial entre os países. Os EUA haviam começado a dar prosseguimento a negociações com o Governo russo para estreitar a sua relação comercial, e justo na semana passada, o ministro de Economia russo, Alexei Ulyukayev, visitou Washington para impulsionar o processo. O impacto dessa decisão, porém, não vai ser muito significativo já que o intercâmbio comercial entre os dois países unicamente representa somente 1% do total de importações e exportações dos EUA.

Quase ao mesmo tempo, o Pentágono anunciava o cancelamento temporário de operação militares conjuntas com a Rússia, incluindo treinamentos, reuniões bilaterais e conferências. “Ainda que o Departamento de Defesa valorize a relação militar que temos desenvolvido nos últimos anos com a Federação Russa para incrementar a transparência, construir um entendimento mútuo e reduzir o risco de erros de cálculo de caráter militar, decidimos, devido ao sucedido na Ucrânia, suspender as operações conjuntas.”, afirmou o porta-voz do Pentágono, John Kirby. Esta decisão não tem consequências quanto a movimentos de tropas ou navios. “Não há mudanças em nossas posições no Mediterrâneo ou na Europa. Nosso exército segue realizando os exercícios de rotina e previamente acordados com nossos aliados”, afirmou.

Na opinião do presidente, que sabe que com as mãos atadas frente ao que realmente pode fazer frente a Putin além de sanções, estas medidas deveriam fazer ser possível reverter essa situação.

Umas horas antes, o vice-presidente Joe Biden chamou o primeiro ministro russo, Dmitri Medvedev, para pedir a Rússia que retire ‘suas forças’ de Crimeia e inicie um diálogo. Biden solicitou também que Medvedev apoie a implementação ‘imediata’ de supervisores internacionais na Ucrânia.

A conversa telefônica precedia a visita que o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, fará esta terça-feira a Kiev para confirmar o apoio de Washington ao novo governo da Ucrânia. Antes disso, o último passo dado pela Casa Branca para condenar a incursão russa foi o anúncio de que o EUA não enviará uma delegação presidencial aos jogos paraolímpicos de inverno em Sochi. Em troca, os atletas norte-americanos participarão dos jogos que se iniciam próxima sexta nas costas do mar Negro.

De sua parte, o republicano John Boehner, presidente da Câmera de Representantes, qualificou o presidente russo de ‘valentão’. “É hora de nos posicionarmos contra Putin”, acentuou.

O diagnóstico do que ocorre às portas da UE não pode ser mais dramático. “Se trata da situação mais grave que o mundo vive desde a queda do Muro de Berlim”, sentenciou o ministro espanhol de assuntos exteriores, José Manuel García Margallo, ao término da reunião que realizaram em Bruxelas os 28 representantes de Exteriores. A frase foi enunciada de maneira idêntica pelo ministro alemão, Frank-Walter Steinmeier. E, no entanto, as medidas adotadas foram mais enérgicas inclusive que as aprovadas há alguns dias contra o regime ucraniano, com Victor Yanukovich ainda no poder.

O que seria uma suspensão do diálogo que mantém União Europeia e Rússia para eliminar a exigência de visto entre ambos os blocos terminou em uma ameaça de bloqueá-lo “se não se derem passos para diminuir a tensão”. E entre definir o avanço russo a Crimeia como uma invasão ou considera-lo uma violação da soberania ucraniana e de sua integridade territorial, os ministros elegeram a segunda opção. Os chefes de diplomacia optaram pela bandeira branca a espera de que a alta representante de política exterior, Catherine Ashton, se reúna esta terça em Madri com o ministro russo do ramo, Serguei Lavrov.

A única medida que os ministros certificaram foi a anunciada suspensão dos preparativos do G-8 (reunião das grandes potências mundiais, mais a Rússia) e o apoio a uma possível missão de observadores internacionais e intermediários ao acordo de destinar já uma primeira entrega de 1,5 bilhão de euros a Ucrânia para aliviar sua precária situação econômica.

A Europa tem razões fortes para ter cautela em qualquer assunto que possa confrontar a Rússia. Margallo expôs com clareza: “As consequência de um confronto entre a EU e Rússia seria muito grave do ponto de vista do abastecimento energético.”. Em torno de um terço da energia que a União Europeia necessita para sobreviver provém da Rússia, uma porcentagem que tem diminuído nos últimos anos, precisamente porque Bruxelas quer reduzir a dependência russa. Mas nem Moscou pode prescindir desse vínculo, pois 24% de suas exportações vão parar na comunidade europeia. Europa poderia tentar jogar melhor essa carta, mas no momento crê ter mais chances de êxito dialogando que penalizando.

Bruxelas marca o primeiro prazo da reunião que realizarão os líderes europeus na quinta-feira. Para então, a EU espera que as tropas russas tenham se retirado dos territórios que ocupam em Crimeia. Se não ocorrer assim, “decidiremos quais são as consequências para a relação bilateral”, advertiu Ashton.

Fonte: El País

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Pentágono prevê reduzir o Exército a níveis prévios à II Guerra Mundial


Os Estados Unidos querem fechar o capítulo das guerras do Iraque e do Afeganistão e do modelo de intervenção que supunha "longas operações de estabilização".

Depois de duas caras e longas guerras, os Estados Unidos não parecem contemplar intervir em conflitos de similares características no futuro. Pelo contrário, o plano que acompanha o orçamento da Defesa apresentado nesta segunda-feira no Pentágono por seu responsável máximo aposta em a modernização do Exército para lançar rápidas intervenções cirúrgicas quando necessário, enfrentar as ameaças cibernéticas provenientes da China e estar preparado para os desafios que supõem os novos grupos islamistas filiados a Al Qaeda na África.

O orçamento do Departamento de Defesa para os próximos cinco anos planeja reestruturar o Exército, reduzindo-o ao tamanho que tinha em 1940 antes da Segunda Guerra Mundial. O plano do secretário de Defesa, Chuck Hagel, pretende ser o reflexo da realidade da instituição depois do final de sua guerra mais longa, quando em dezembro saiam os últimos soldados dos EUA do Afeganistão. “Depois de Iraque e Afganistão”, explicou Hagel nesta segunda-feira em um discurso, os líderes militares não planejam “levar a cabo extensas e longas operações de estabilização”.

“Enquanto nos encaminhamos ao fim de nossas missões de combate no Afeganistão, este será o primeiro orçamento que refletirá totalmente a transição que o Departamento de Defesa está fazendo depois de 13 anos de guerra –o conflito mais longo na história de nossa nação-“, declarou Hagel do Pentágono.

Este será o primeiro orçamento que reflete totalmente a transição que o Departamento de Defesa está fazendo depois de 13 anos de guerra –o conflito mais longo na história de nossa nação. (Chuck Hagel)

Caso aprovado o plano do antigo senador pelo Estado de Nebraska, que será enviado ao Congresso no mês que vem como parte das propostas de despesas para o ano fiscal que começa em outubro, o Exército se reduzirá a seu nível mais baixo desde 1940, antes de que o militarismo norte-americano crescesse dramaticamente depois de entrar na Segunda Guerra Mundial.

“É o momento da verdade”, anunciou o secretário de Defesa ao expor sua decisão de suprimir, por exemplo, toda a frota de aviões F-10. “Este é um orçamento que reconhece a realidade da magnitude de nossos desafios fiscais, que ao mesmo tempo contempla o perigoso mundo no qual vivemos e que reconhece o papel único e indispensável que o Exército dos EUA tem na segurança do país e no volátil mundo de hoje”.

O Pentágono já adiantava que o número de soldados do Exército ia passar dos 520.000 homens atuais para algo entre 450.000 a 440.000. Mas Hagel anunciou nesta segunda-feira que esse nível será ainda mais baixo e poderá ser reduzido até os 420.000 militares caso aconteçam novos cortes orçamentas em 2016 para conter o déficit. O pico mais alto do Exército foi alcançado em 2010 com 566.000 efetivos.

O orçamento da Defesa será apresentado em 4 de março e estará dotado de 496 bilhões de dólares, um nível que respeita o teto de despesa afixado pelo Congresso, e ao qual se somarão 26 bilhões de dólares mais autorizados pela Casa Branca para manter treinamentos e manobras.

Passarão para a história os famosos aviões espiões U2, aqueles que, entre outros episódios, fotografaram os mísseis que a URSS instalava em Cuba e que colocaram o mundo à beira da Terceira Guerra –Nuclear- Mundial.

O Pentágono já se viu ameaçado por profundos e impopulares cortes, já que a modernização  foi iniciada durante a época do predecessor de Hagel na Defensa, Robert Gates. Mas esses cortes sempre foram sobre o papel e o Pentágono enfrentará agora o impacto da redução do chamado sequester.

Nas palavras de Hagel, o número de membros ativos será reduzido em 13% e, na reserva, em 5%. Por outro lado, o secretário de Defesa quer aumentar em 6% o total de homens de áreas especiais como os que participaram na captura e morte de Osama Bin Laden.

A modernização do Exército norte-americano passa necessariamente pela maior destinação de recursos ao desenvolvimento de ‘drones’ (os aviões não tripulados), à ciberdefesa e às novas tecnologias que permitam manter a hegemonia no campo militar ante a países como China e seu emergente militarismo. Passarão para a história os famosos aviões espiões U2, aqueles que, entre outros fatos, fotografaram os mísseis que a URSS instalava em Cuba e que colocaram o mundo à beira da Terceira Guerra –Nuclear- Mundial.

Desaparece também o avião F-10, usado para destruir alvos em terra, mas obsoleto ante a eficácia dos drones, e o KC-10, que permitia o abastecimento dos F-10 em voo.

As recomendações do plano orçamental para 2015 e para os anos seguintes “respaldam forças armadas menores e mais bem preparadas -dando prioridade a plataformas rapidamente desapegáveis e independentes que podem derrotar adversários mais avançados tecnologicamente”, concluiu Hagel, acrescentando que [as propostas] também incluem “importantes investimentos para manter uma força nuclear segura, protegida, efetiva e confiável”.

Fonte: El País

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Ucrânia: Da batalha à guerra de Kiev


Regressaram os confrontos à Praça da Independência, em Kiev, na Ucrânia. Os radicais tentaram tomar o controlo da situação e obrigaram as forças antimotim, que cercavam esta histórica praça, a recuarem.

Um grupo de opositores, usando armas artesanais e escudos improvisados, descarregou sobre a polícia e recuperou o controle do local. O Kiev Post diz que há entre 15 a 50 polícias capturados pelos opositores do regime.

O número de mortos continua a subir. Um fotógrafo da Reuters afirma ter visto 15 civis mortos, esta manhã. A agência francesa, France Press, forneceu um balanço de 25 vítimas mortais, mas o jornal ucraniano, Kiyv Post, referiu já pelo menos 35 mortos.

Uma fonte da presidência dizia ao final da manhã que várias dezenas de pessoas tinham já sido mortas, entre as quais numerosos polícias, sem avançar números.



Esta discrepância de informações dá uma ideia do caos e da situação dramática que se vive na capital ucraniana e pode ser o reflexo daquilo que muito se tem temido: o ponto de viragem em que a batalha de Kiev se esteja a transformar em guerra civil.

A diplomacia tenta um último esforço para evitar o pior. A delegação dos três ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia conseguiu, apesar de tudo, encontrar-se com o presidente Viktor Ianukovich e com os líderes da oposição.



Fonte: EuroNews

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Em meio à polêmica, parlamento da Bélgica aprova eutanásia para menores


O Parlamento da Bélgica aprovou nesta quinta-feira uma lei que autoriza a eutanásia para menores, sem limite mínimo de idade. Aprovada 86 votos, com 44 contra e 12 abstenções, ela agora segue para a assinatura do rei.

Após isso, o direto à eutanásia, que já era válido para adultos, será ampliado para menores em estado terminal e sofrendo de dores físicas insuportáveis, desde que contem com a aprovação explícita dos pais e de uma junta médica de pediatras e psiquiatras.

A Bélgica permite a morte assistida para adultos desde 2002, a exemplo de Suíça, Luxemburgo e também da Holanda, onde a eutanásia é permitida para crianças a partir de 12 anos, também com o consentimento dos pais.

Assim que a lei foi votada, um homem que estava na área reservada ao público gritou “assassinos”, dirigindo-se aos políticos.

Antes da aprovação da lei, a Bélgica assistiu a um grande debate sobre a polêmica, de acordo com o correspondente da BBC em Bruxelas, Duncan Crawford. De um lado, os que apoiavam a ideia afirmavam que, na prática, ela afetaria apenas um número pequeno de crianças, que provavelmente já estariam na adolescência.

Um comitê de especialistas consultado pelo Senado belga durante os debates sobre a proposta de lei estimou que a Bélgica poderia ter até dez casos por ano.

Já os oponentes afirmam que uma criança não tem como tomar uma decisão tão difícil e que a iniciativa não teria utilidade prática e responderia mais a propósitos políticos que a uma demanda real da sociedade.

Razões políticas

Em um editorial publicado esta semana, o jornal La Libre Belgique lembra que na Holanda, único país onde a eutanásia é atualmente autorizada para menores, apenas cinco casos foram registrados desde a entrada em vigor da lei, em 2002.

"Antes de votar uma lei, a primeira questão é saber se ela responde a uma demanda, a uma necessidade. A resposta aqui é negativa", afirma o editorialista Francis Van de Woestyne, para quem a votação "responde a uma urgência não médica ou psicológica, mas ideológica".

"O perigo é que essa lei, votada em fim de governo, não passe de um troféu concebido não para aliviar o sofrimento de crianças ou famílias, mas por razões estritamente políticas", advertiu, recordando que a Bélgica tem eleições gerais em maio.

Uma recente pesquisa de opinião do mesmo jornal indicou que 74% da população apoia a iniciativa. Em 2012 a Bélgica registrou um recorde de eutanásias em adultos: 1.432 casos, 25% mais que no ano anterior e o equivalente a 2% dos falecimentos.

Objetividade

Os opositores da nova lei também criticam a falta de critérios objetivos para definir quando os jovens têm suficiente capacidade de discernimento para decidir sobre a própria morte, uma das exigências para que o pedido de eutanásia seja autorizado.

"A influência dos pais e pessoas próximas sobre um menor compromete sua capacidade de decisão independente. Um jovem pode se sentir motivado a pedir a eutanásia pensando em ajudar os pais, não para si mesmo", acredita o neuro-oncologista pediatra Van Gool.

Diversos grupos da sociedade belga - entre eles a Igreja Católica e a associação independente Dossards Jaunes - se manifestaram durante a semana, pedindo que a votação da lei seja adiada para depois das eleições, a fim de dar espaço a uma análise despolitizada e objetiva.

O debate chegou até a Índia, onde 250 especialistas de 35 países, reunidos no primeiro Congresso Internacional de Cuidados Paliativos Pediátricos, pediram ao governo belga que "reconsidere sua decisão" de ampliar a lei da eutanásia.

Fonte: BBC-Brasil

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Presos na Coreia do Norte cavam a própria cova, conta ex-guarda


Imagens de satélite mostram a expansão da maior prisão para dissidentes políticos da Coreia do Norte, de acordo com um relatório da Anistia Internacional divulgado nesta quinta-feira. Novos presídios, prédios de segurança e campos de trabalhos forçados surgiram nos últimos dois anos. O informe traz ainda novidades, como um ex-funcionário de segurança que conta pela primeira vez como os presos são obrigados a cavarem as próprias covas e sobre os estupros rotineiros de mulheres que depois desaparecem.

- A cruel realidade do contínuo investimento da Coreia do Norte em sua vasta rede de repressão está exposta - declarou Rajiv Narayan, pesquisador da Anistia Internacional para o Leste da Ásia.

A Coreia do Norte nega a existência dos chamados gulags, embora haja relatos sobre centenas de pessoas presas no país, incluindo menores de idade. Ex-detentos e funcionários do governo contam que os presos são obrigados a trabalhar de dez a 12 horas por dia, dormem pouco e são subnutridos.

Alguns não chegaram a ser formalmente acusados, sendo levados por “associação indevida”, por conhecerem ou serem parentes de dissidentes políticos.

Acredita-se que Kwanliso 16, na província de North Hamgyong, seja a maior prisão política do país. Com 560 km2, tem três vezes o tamanho da capital dos EUA, Washington, e em 2011 abrigava cerca de 20 mil pessoas.

As imagens de satélite, feitas em maio de 2013, indicam o aumento da população do Campo 16, com novos blocos dormitórios e outros mais em construção. Mostram ainda atividades econômicas, como mineração e agricultura, além da expansão da área industrial.


Lee, um ex-segurança do Campo 16 dos anos 80 até meados da década de 90, contou à Anistia Internacional sobre os métodos usados para executar prisioneiros. Os detentos eram forçados a cavar a própria sepultura e depois golpeados com um martelo no pescoço. Ele também testemunhou guardas estrangulando presidiários e batendo neles com pedaços de madeira até a morte. Mulheres desapareciam após serem estupradas.

- Após uma noite servindo aos oficiais, as mulheres tinham que morrer porque o segredo não podia vazar. Isso acontece na maioria dos campos para prisioneiros políticos - explicou Lee.

A Anistia compartilhou o material com a comissão da ONU que investiga abusos aos direitos humanos na Coreia do Norte e pediu às autoridades em Pyongyang que “imediatamente libertem todos os prisioneiros de consciência”.

Fonte: TheIndependent

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Maçons realizam protesto contra a corrupção no País

Mobilização reuniu cerca de 100 pessoas, que cantaram o Hino Nacional

De forma pacífica e ordeira, representantes de lojas maçônicas de Sorocaba participaram ontem, pelas ruas centrais de Sorocaba, de um ato em protesto contra a onda de corrupção no País. Alguns cartazes carregados pelos manifestantes pediam, também, o impeachment da presidenta Dilma Roussef (PT). Os participantes não gritaram palavras de ordem, mas cantaram, várias vezes, durante a passeata, o Hino Nacional. Calcula-se que cerca de 100 pessoas tomaram parte na mobilização.

Com apitos, o grupo seguiu da praça Frei Baraúna com destino à rua Cesário Mota, descendo as ruas São Bento, Quinze de Novembro, e, desta, seguiu pela Souza Pereira até a Álvaro Soares, 7 de Setembro, Professor Toledo para retornar ao local da concentração. O presidente da loja Brasil III, Evandro Correa da Silva, explicou que o manifesto serviu para resgatar a combatividade da instituição. "A maçonaria sempre esteve presente nos embates políticos e, agora, soma ao clamor das ruas. Foi a forma encontrada para expressarmos nossa indignação."


Além da presidente da República, os cartazes expressaram, também, insatisfação com a representatividade política. "Não vandalize, não saqueie. Já tem 500 deputados fazendo isso", dizia uma das peças exibidas. "Esperamos, com essa atividade, ajudar no processo de conscientização e, também, deixar claro que estamos juntos nos momentos cruciais para o país, como o atual", disse Correa.


Em várias regiões do País, os maçons têm marcado presença nos manifestos. No Rio de Janeiro, no começo deste mês, a instituição saiu às ruas empunhando bandeiras, fazendo o que a imprensa chamou de "linha maçônica mais popular". Em razão do engajamento, o Palácio do Lavradio, tradicional e histórico símbolo maçom, foi colocado à disposição dos estudantes universitários. A participação, portanto, não chega a ser novidade. Na França, a instituição foi apontada como um dos grupos fortes que apoiou a aprovação da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo em meio a uma onda de protestos de ultradireitistas. 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

As denúncias do operador do PMDB na Petrobras


O lobista João Augusto Henriques denuncia cobrança de propina para fechar contratos e diz que dinheiro foi para deputados – e até para a campanha presidencial.


João Augusto estava em silêncio. Permanecia inclinado à frente, apoiava-se na mesa com os antebraços. Batia, sem parar, a colherzinha de café na borda do pires – e mantinha o olhar fixo no interlocutor. Parecia alheio à balbúrdia das outras mesas no Café Severino, nos fundos da Livraria Argumento do Leblon, no Rio de Janeiro, naquela noite de sexta-feira, dia 2 de agosto. A xícara dele já estava vazia. O segundo copo de água mineral, também. João Augusto falava havia pouco mais de uma hora. Até então, pouco dissera de relevante sobre o assunto que o obrigara a estar ali: as denúncias de corrupção contra diretores ligados ao PMDB, dentro da Petrobras. Diante dos documentos e das informações obtidos por ÉPOCA sobre sua participação no esquema, João Augusto respondia evasivamente. Por alguma razão incerta, algo mudara nos últimos minutos. O semblante contraído sumira. Esperei que o silêncio dele terminasse.

– O que você quer saber?, disse ele.
– Sobre os negócios, respondi.

Foi então que João Augusto Rezende Henriques disse, sem abaixar a voz ou olhar para os lados: “Do que eu ganhasse (no contratos intermediados com a Petrobras), eu tinha de dar para o partido (PMDB). Era o combinado, um percentual que depende do negócio”. A colherzinha não tilintava mais.

Iniciava-se, ali, um desabafo motivado pelas denúncias que ÉPOCA investigava havia cerca de um mês. O caso envolvia a Petrobras – maior empresa do país, 25ª do mundo, com faturamento anual de R$ 281 bilhões. Começara com apenas uma pista: um contrato assinado em 2009, em Buenos Aires, entre o advogado e ex-deputado Sérgio Tourinho e o argentino Jorge Rottemberg. No documento, previa-se que Tourinho receberia US$ 10 milhões de uma empresa no Uruguai, um conhecido paraíso fiscal, caso a Petrobras vendesse a refinaria de San Lorenzo, avaliada em US$ 110 milhões, ao empresário Cristóbal Lopez, conhecido como czar do jogo na Argentina e amigo da presidente Cristina Kirchner. À primeira vista, o contrato não fazia sentido. Por que um lobista de Buenos Aires se comprometeria a pagar US$ 10 milhões a um advogado brasileiro, de Brasília, caso esse advogado, sem experiência na área de energia, conseguisse fechar a venda de uma refinaria da Petrobras na Argentina?

ÉPOCA foi buscar a resposta em entrevistas com partícipes do negócio, parlamentares e funcionários ligados ao PMDB. O advogado Tourinho era sócio dos lobistas do PMDB, que trabalhavam em parceria com Jorge Zelada, diretor internacional da Petrobras desde 2008 e, segundo João Augusto, apadrinhado do PMDB. A operação San Lorenzo, diz ele, não era um caso isolado. Era mais um dos muitos negócios fechados pelos operadores do PMDB na área internacional da Petrobras. De acordo com João Augusto, todos os contratos na área internacional da Petrobras tinham de passar por ele, João Augusto, que cobrava um pedágio dos empresários interessados. De acordo com ele, de 60% a 70% do dinheiro arrecadado dos empresários era repassado ao PMDB, sobretudo à bancada mineira do partido na Câmara, principal responsável pela indicação de Zelada à Petrobras. De acordo com João Augusto, o dinheiro servia para pagar campanhas ou para encher os bolsos dos deputados. O restante, diz ele, era repartido entre ele próprio e seus operadores na Petrobras – os responsáveis pelo encaminhamento dos contratos.

Segundo João Augusto e outros quatro lobistas do PMDB, o dinheiro era distribuído a muita gente em Brasília. A maior parte seguia para os dez deputados do partido em Minas, entre eles o atual ministro da Agricultura, Antonio Andrade, e o presidente da Comissão de Finanças da Câmara, João Magalhães. O dinheiro, de acordo com João Augusto, não ficava apenas com essa turma. Segundo o relato dele e dos outros lobistas, o secretário das Finanças do PT, João Vaccari, recebeu o equivalente a US$ 8 milhões durante a campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010. João Augusto diz que organizou, com Vaccari, o repasse para a campanha de Dilma. O dinheiro, segundo ele, foi pago pela Odebrecht, em razão de um contrato bilionário fechado na área internacional da Petrobras, que dependia de aprovação do então presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, do PT. À Justiça Eleitoral, a campanha de Dilma declarou ter recebido R$ 2,4 milhões da Odebrecht. O coordenador financeiro da campanha de Dilma Rousseff, José de Filippi Júnior, afirma que não conhece João Augusto. “Posso garantir que ele não participou da arrecadação de recursos para a campanha da presidenta Dilma Rousseff, que toda arrecadação foi feita por meio de Transferência Eletrônica Bancária, e que as contas da campanha da presidenta foram aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral”, diz.

As denúncias de João Augusto são contestadas pelos acusados. Vaccari diz que não era responsável pela tesouraria da campanha de Dilma. Afirma ainda que “todas as doações ao PT são feitas dentro do que determina a legislação em vigor e de uma política de transparência do PT”. Gabrielli diz, por meio de nota, não ter conversado sobre o contrato da Odebrecht com Vaccari. Zelada afirma desconhecer a atuação de João Augusto na intermediação de contratos na Petrobras e nega ter sido indicado pelo PMDB. A Petrobras informou em nota que não comentaria o assunto. Apesar de todas as contestações, a reportagem de ÉPOCA confirmou, por meio de entrevistas em três cidades, vários pontos do depoimento de João Augusto. Investigações oficiais ainda são necessárias para apurar todas as suas denúncias.

Uma diretoria para o PMDB

Em janeiro de 2008, o então presidente, Lula, aceitou entregar a Diretoria Internacional da Petrobras ao PMDB. Mais especificamente, ao grupo que comanda o PMDB da Câmara dos Deputados. Engenheiro de carreira da Petrobras, João Augusto fora apresentado à política em meados dos anos 1990, quando era diretor da BR Distribuidora, a empresa de combustíveis da Petrobras. Para fazer qualquer operação de relevo na BR, João Augusto precisava do apoio dos demais diretores. No começo, nunca conseguia. “Não tinha a menor ideia de como as coisas funcionavam”, diz. “Mas aí conheci o Benjamin Steinbruch (dono da CSN), que me explicou como era preciso ter apoio político para fazer as coisas. O Steinbruch ligou para o Tasso Jereissati (do PSDB), que ligou para o Marcelo Alencar (governador do Rio de Janeiro, também do PSDB). O Alencar avisou o Joel Rennó (então presidente da Petrobras): ‘Ó, o João Augusto está com a gente’”, diz João Augusto. E ri das lembranças. “Eu não tinha ideia do que ‘estar com a gente’ significava… A partir dali, mudou muito. Da água para o vinho. Tudo passava. Você vai mudando. O mundo real é outro, e eu tinha de me adequar a ele.” Em pouco tempo, João Augusto migrou dos tucanos para o PMDB – segundo ele, por obra do então deputado Michel Temer. Em 1999, João Augusto prosperava na política e nos negócios. Tinha, segundo ele, apoio do PMDB para virar diretor da Petrobras. Mas uma grave hepatite C o impedira. Para sobreviver, foram precisos dois transplantes de fígado e quatro meses num hospital em Londres.

Na volta ao Brasil, João Augusto deixou a Petrobras. “Fui fazer negócios”, diz. Usava, segundo ele, o conhecimento e a rede de contatos acumulados nos anos de Petrobras para ajudar empresários com interesses na empresa. Sabia que técnicos e diretores procurar, dependendo do assunto – e, sobretudo, que métodos de persuasão aplicar a cada um. “A Petrobras tem três tipos de caras: o técnico, o político e o carreirista”, diz. “O técnico não vai mudar o que ele pensa porque você diz. O que ele gosta é de visitar obra, viajar em helicóptero, se sentir importante de vez em quando. Ele acha que merece. O carreirista faz o que o chefe mandar. Não quer saber o que é. Nem pensa duas vezes. Hoje é cheio de carreirista. E o político é o que observa as coisas dentro da empresa, atende aos amigos, ao pessoal da área dele, aos políticos. Se você errar a abordagem, confundir um com o outro, você quebra a cara. Eu sei fazer essa abordagem.”

Com todas essas credenciais, João Augusto era o nome favorito do PMDB para assumir a diretoria na Petrobras que Lula prometera aos deputados do partido, em janeiro de 2008. Seu nome, porém, foi barrado na Casa Civil: João Augusto fora condenado pelo Tribunal de Contas da União a pagar uma multa de R$ 500 mil, em virtude de irregularidades cometidas quando ele era diretor da BR Distribuidora. O deputado Fernando Diniz, que comandava a bancada do PMDB de Minas, comunicou-lhe o óbice. E pediu um nome alternativo. João Augusto indicou um de seus melhores amigos na empresa, o engenheiro Zelada, que trabalhava com um dos diretores petistas da estatal. Ao nomear Zelada, João Augusto se tornou, segundo deputados e lobistas, o diretor “de fato” da área internacional. “A função do Zelada era obedecer às ordens de João Augusto”, diz um lobista do PMDB.

Para garantir que as operações do partido correriam como esperado, João Augusto recrutou técnicos de sua confiança na Petrobras. Distribuiu, pela área internacional, seus colegas de turma na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sócrates José virou chefe de gabinete de Zelada. Era o cicerone dos parceiros do grupo que visitavam a sede da Petrobras para fazer reuniões. “Se o projeto fosse bom para a Petrobras, eu levava adiante. Fazia isso por amizade”, diz Sócrates. Ele também tinha como missão reportar o que via e ouvia a João Augusto.


José Carlos Amigo assumiu a gerência para a América Latina. Essa gerência, segundo João Augusto, esteve envolvida na contratação de um navio-sonda da empresa Vantage, por US$ 1,6 bilhão – uma operação que, diz ele, rendeu uma comissão de US$ 14,5 milhões, US$ 10 milhões dos quais repassados ao PMDB. Clóvis Correa virou diretor da Petrobras Argentina, onde a empresa mantinha a refinaria de San Lorenzo. De acordo com João Augusto e os demais envolvidos no negócio, Clóvis participava das reuniões em hotéis e receberia uma parte do “sucesso” de US$ 10 milhões. Fernando Cunha, o único que não estudara com os demais, tornou-se gerente para negócios na África. João Augusto diz que ele participou da compra de um campo na Namíbia, operação encaminhada depois de ele ter fechado comissão com a empresa que detinha o controle desse campo.

A incompreensão dos deputados

De acordo com os envolvidos, havia uma incompreensão entre os deputados sobre como funcionava a Petrobras e quanto era possível arrecadar por mês. Dois lobistas do PMDB afirmam que fora estipulada uma meta de R$ 150 mil por mês para a bancada. Num almoço na churrascaria Porcão, num domingo de sol no começo de 2009, o deputado Fernando Diniz, ao lado de assessores e de lobistas, reclamou da “performance” de Zelada. “O ‘Gelada’ não está entregando”, disse aos amigos. Essa percepção é confirmada por João Augusto. “Num primeiro momento, eles (os deputados do PMDB) achavam que tinha um monte de coisa (na Petrobras). Não tinha. Os caras não entendiam. Achavam que estávamos (a dupla João Augusto e Zelada) de má vontade. Não entendiam que a Petrobras tem uma diretoria, um Conselho, que não dá para fazer o que quiser”, diz.

A cobrança dos deputados exasperava João Augusto. “Se você não tiver os valores muito enraizados, o cara (político) vem e pega o dinheiro que está na sua carteira”, diz. “Tem de saber lidar. A pior coisa no pedido político é você engavetar. Ou você diz: ‘Desse jeito aqui não dá’. Ou diz: ‘Posso fazer assim’ (de acordo com os interesses da empresa). Não sou vestal. Gosto de ganhar dinheiro”, diz João Augusto. “Mas não faço coisa que vai dar prejuízo à Petrobras, como Pasadena (a refinaria nos Estados Unidos na qual a empresa perdeu dinheiro). De zero a dez, numa escala de ética, não sou zero, mas também não sou dez. Bandido eu não sou, não. Sou três ou dois. Tenho de ser reconhecido como um cara técnico, de negócio, mas que não faço m...”

João Augusto faz uma pequena pausa, pede mais uma água mineral e continua: “Quando estava na BR, eu não podia parar o trem. Se tentasse, seria atropelado. Tinha de entrar no trem para levar na direção que eu quisesse. Eu vendia álcool quando era diretor da BR. Você não tem ideia. O Brasil inteiro me procurava. Todo político conhece um usineiro que quer comprar (em melhores condições). O que eu fazia? Fazia uma planilha menor, de coisas que a BR precisava vender mesmo, e deixava separado. Sempre que eu tinha de atender a um pedido político, pegava essa planilha e tentava conciliar o que havia nela, que era interesse da empresa, com o pedido do político”.

O que parece incomodar João Augusto, e talvez tenha contribuído para seu desabafo, seja o desequilíbrio entre os interesses dos políticos, que cobram cada vez mais de operadores como ele, e os interesses da Petrobras. “A Petrobras sempre teve influência política. Mas a decisão era técnica. A política se adequava à técnica. Se, por exemplo, os técnicos decidissem que era preciso ter uma refinaria no Nordeste, os políticos poderiam brigar para escolher em que Estado. Mas a refinaria era necessária”, diz. “De uns tempos para cá, isso se inverteu. Os políticos decidem que haverá uma refinaria no Maranhão ou no Ceará, e os técnicos têm de correr atrás.” Ele credita essa inflexão, como os demais ouvidos nesta reportagem, ao ex-presidente Lula. “O PT aparelhou demais. Gente que não tinha capacidade subiu rápido.”

O projeto ATREU

A venda da refinaria de San Lorenzo era, para o grupo, o começo da venda de todos os bens da Petrobras na Argentina. “Quem descobriu a Argentina fui eu”, diz João Augusto. Foi sugerido a ele que contratasse advogados brasileiros. “A gente que vai fazer negócio fora, seria bom receber por advogado aqui. Tudo bonitinho. Topei. Fizemos o contrato para receber tudo por eles (advogados) e cada um ia receber sua parte depois.” (Por meio de nota, o advogado Sérgio Tourinho afirma que foi contratado “para fazer o acompanhamento jurídico” na venda da refinaria San Lorenzo. “Em um determinado momento, me passaram que parte dos meus honorários deveria ser repassada a terceiros. Claro que não concordei. E, por isso, tive o contrato rescindido.”.)

Se a refinaria fosse vendida a Cristóbal, o amigo de Cristina Kirchner, os lobistas receberiam, segundo João Augusto, US$ 10 milhões. A divisão do “sucesso” demonstra a força do PMDB nos negócios da Petrobras lá fora. Pela conta dele, dos US$ 10 milhões, US$ 6,8 milhões estavam destinados a João Augusto. “Eu tinha de repassar US$ 5 milhões ao PMDB. A maior parte disso era PMDB de Minas, porque era o Fernando (Diniz). A partir daí, não sei quem eles pagavam, nem quanto. Deputado é f... Você dá para um e, a partir dali, não dá para saber se ele deu para um, se ele deu para meia dúzia, se ele ficou (com o dinheiro)…”

Entre eles, a operação, não se sabe por que motivo, era conhecida como “projeto Atreu”. Em setembro e outubro de 2009, os lobistas reuniram-se muitas vezes na sala de reuniões do Hotel Hilton, em Buenos Aires, para avançar nas tratativas. Uma das presenças certas, segundo João Augusto, era o diretor Clóvis Correa. (Hoje, Clóvis é assessor da Transpetro, empresa da Petrobras comandada pelo PMDB, e nega ter participado das negociações para a venda da refinaria de San Lorenzo.) “O Clóvis estava conosco em todas as reuniões. Como ele havia sido meu colega de faculdade, e eu tinha boas relações com ele, fiquei mais tranquilo”, diz João Augusto. Ele conta que, nas reuniões, combinava com outros lobistas pagamentos em contas no exterior. Uma das contas citadas, segundo um dos lobistas, era identificada como Tiger, na China – uma conta usada por doleiros para fazer pagamentos a partidos como PT e PMDB, conforme afirmou a Polícia Federal, em 2009, na operação Castelo de Areia, que investigou denúncias de pagamento de propina a políticos.

Enquanto a venda da refinaria avançava, o grupo oficializava a união para organizar os futuros negócios na Petrobras. Chegaram a assinar um instrumento particular de parceria, em que se comprometiam a dividir os contratos que cada um obtivesse. A união durou pouco. Era muito dinheiro e pouca confiança entre eles. João Augusto exigiu aos demais subir sua participação de US$ 6,8 milhões para US$ 8,8 milhões, por causa da pressão do PMDB. “Ele disse que o PMDB precisava fazer caixa para a campanha de 2010”, diz um dos lobistas. Houve briga entre eles, mas o advogado Tourinho aceitou assinar um aditivo ao contrato principal de sucesso, reduzindo a participação dele e dos demais a US$ 1,2 milhão.

João Augusto quis fazer um contrato em separado com os argentinos. Conta que foi até Buenos Aires tentar persuadir Rottemberg, o operador do negócio pelo lado argentino, encarregado pelo amigo de Cristina Kirchner de pagar os brasileiros. Temendo que seus parceiros no PMDB não confiassem em sua palavra, João Augusto levou uma testemunha: Felipe Diniz, filho do deputado Fernando Diniz, que morrera recentemente. Àquela altura, a pressão do PMDB por resultados era imensa. “Usei o nome do PMDB, até para todo mundo saber que não estava dando calote em mim, estava dando calote no partido”, diz João Augusto. O novo contrato, ele afirma, não deu certo. Em maio de 2010, a Petrobras anunciou a venda da refinaria, por US$ 110 milhões, ao empresário Cristóbal Lopez. “O negócio saiu, mas não recebi nada. Eles (os outros lobistas) receberam. E o cara em quem eu achava que podia confiar, o Clóvis, foi o que recebeu mais. Eu tinha compromissos e fiz papel de idiota. A única atitude que pude tomar foi mandar o Zelada tirar o Clóvis da Pesa (Petrobras Argentina).”

“Rapaz, eles estão sempre em campanha, né?”

Nem todas as operações eram tão difíceis quanto a venda da refinaria de San Lorenzo. No mesmo período, João Augusto diz que fechou um contrato de US$ 1,6 bilhão para que a Petrobras alugasse o navio-sonda Titanium Explorer, da empresa Vantage. O contrato rendeu uma comissão de US$ 14,5 milhões, que deveria ser paga em três parcelas. Segundo João Augusto, a primeira foi paga ainda no começo de 2009; a segunda, em seguida. A terceira, diz ele, não foi paga, em razão de uma briga societária na Vantage. O sócio que o contratara é hoje processado pelos demais sob a acusação de ter desviado dinheiro da empresa. “Repassei US$ 10 milhões ao PMDB”, diz. Nesse caso, não especificou nomes. “A quem de direito no partido. É a regra.” Era dinheiro para campanha? “Rapaz, eles estão sempre em campanha, né?”, diz.


“(O repasse) era maior do que 50%. Podia ser 60% ou 70%. Dependia do negócio. (...) Na área internacional (da Petrobras), se eu fizer alguma coisa, tem de ajudar o partido. Porque foi o partido quem indicou o Zelada. O mundo é assim. E é assim em qualquer lugar.” Em seguida, afirma: “Se eu fizesse negócio em outra diretoria, não tinha fee (comissão) para o partido. E eu falava para eles: aqui não devo nada”. João Augusto parecia genuinamente magoado com os parceiros no PMDB. “Depois que você conhece os bastidores, não dorme mais tranquilo. Pensa que é fácil nego te ligando? ‘A campanha tá aí…’ Nego xingando o Zelada porque não vinha dinheiro.” Ao mesmo tempo, ele parecia sentir-se culpado por não corresponder às altas expectativas dos deputados: “Os caras me acolheram tão bem… Você sente que tem de ajudar o grupo”.

E quem coordenava o “grupo”, após a morte de Fernando Diniz? “Uma hora foi o (deputado) Mauro Lopes, outra foi o (deputado) João Magalhães.” (Mauro Lopes afirma conhecer João Augusto há mais de 20 anos e diz que sugeriu seu nome para ocupar a Diretoria Internacional da Petrobras ao então líder da bancada peemedebista de Minas Gerais, Fernando Diniz. E nega ter sido beneficiado com repasses de dinheiro.) “Não sei como era a divisão: para quem eles davam, se davam certo… Só mandava.” João Augusto desce aos detalhes das transações: “Normalmente, (os deputados) me davam (a conta no exterior) e eu mandava via doleiro.” Ele conta que sempre recebia reclamações. “Era muita gente (para receber). Uma operação de US$ 5 milhões parece boa, mas (…) eram dez, 12 pessoas. No fim, (os deputados) achavam uma m...”

Uma CPI para cá, um contrato para lá

Ao cabo de duas horas de revelações, João Augusto parece pronto para contar sua maior proeza, de acordo com os outros lobistas do PMDB: o contrato de quase US$ 1 bilhão entre a Área Internacional da Petrobras e a empreiteira Odebrecht, fechado às vésperas do segundo turno da eleição de 2010. Pelo contrato, a Odebrecht cuidaria da segurança ambiental da Petrobras em dez países.

– E a Odebrecht?
– Odebrecht? Eu montei tudo.

João Augusto diz que, no auge da CPI da Petrobras no Senado, no segundo semestre de 2009, o relator da comissão, senador Romero Jucá, do PMDB, que também era líder do governo, convocou-o para uma reunião em Brasília. Disse que fizera um acordo com o então presidente da Petrobras, Gabrielli: o PMDB ajudaria a enterrar a CPI, que já estava morna, e, em troca, Gabrielli não criaria dificuldades à aprovação, pela diretoria executiva da Petrobras, do “projeto” Odebrecht. “Manda o João apresentar”, disse Gabrielli a Jucá, segundo o relato de João Augusto. Logo depois, em dezembro de 2009, Jucá apresentou seu relatório final que isentava a Petrobras de irregularidades. A CPI morria conforme o previsto. (Jucá nega ter chamado João Augusto a Brasília para tratar do contrato entre Petrobras e Odebrecht. “Não houve nenhum tipo de conversa com o Gabrielli sobre qualquer contrato em troca de CPI. Até porque eu era líder do governo, eu estava tratando com seriedade.”)

Para fazer o contrato, João Augusto diz que fez “um grupo de trabalho, técnico, sério”. “Trabalhamos um ano nisso. A Petrobras precisava mesmo consolidar essas operações de meio ambiente lá fora. A empresa não sabia o tamanho do passivo, quem cuidava do quê. Era preciso centralizar”, diz João Augusto. Por que não fazer uma licitação? “A Odebrecht tinha de ganhar. Foi até ideia minha. Pelo tamanho dela. Pelo padrão”, diz. A Petrobras convidou formalmente outras empreiteiras. Todas declinaram. Deu Odebrecht. Ouvida a respeito do caso, a Odebrecht nega ter feito contrato com João Augusto Henriques. E afirma, em nota: “A afirmação que a Odebrecht pagou o equivalente a US$ 8 milhões para a campanha de 2010 da presidente Dilma Rousseff, por intermédio do secretário de Finanças do PT, João Vaccari, não procede. A Odebrecht faz suas doações dentro de uma visão republicana e em prol da democracia e do desenvolvimento econômico e social do país, respeitando rigorosamente os limites e condições impostas pela legislação eleitoral”.

No momento em que Gabrielli deveria cumprir sua parte do acordo com Jucá, o PMDB foi traído, diz João Augusto. “Quando ela (a Odebrecht) ganhou, Gabrielli fez de tudo para derrubar na diretoria. A CPI, claro, já tinha passado. Quis f… o negócio. O contrato entrava na pauta da diretoria, mas eles enrolavam.” Com sua experiência política, João Augusto sabia o que fazer. Conta que conversou primeiro com seus parceiros na Odebrecht. Em seguida, procurou Vaccari, também tido como homem do PT na Petrobras. “Avisei a ele: a Odebrecht vai ajudar vocês na campanha. Vai lá e acerta com eles”, diz João Augusto. Qual o valor acertado? “Deram, mais ou menos, o equivalente a US$ 8 milhões para o Vaccari”, afirma.

As dificuldades na diretoria prosseguiram por mais algumas semanas. Em 26 de outubro de 2010, a cinco dias do segundo turno entre Dilma e José Serra, do PSDB, a diretoria da Petrobras aprovou o contrato. “Todo mundo recebeu. O partido, eu e as pessoas que ajudam. Quem ajuda, ganha”, diz João Augusto. E quem recebeu? Ele não responde. “Pessoas de dentro (da Petrobras) que eu pago.” Quanto o PMDB recebeu? “Foram US$ 10 milhões ou US$ 11 milhões. Não mexo com dinheiro dos outros. A Odebrecht tem os canais dela com os partidos”, diz ele. E como se dava o pagamento? “A parte deles (PT e PMDB) eu não sei. A minha foi lá fora”, disse. “Todos os contratos são assim.”

O contrato da Odebrecht parece ter sido a última grande operação da turma de João Augusto. Logo depois, no governo Dilma, o aparelhamento diminuiu. Saíram muitos dos diretores ligados ao PT. Zelada foi perdendo poder e pediu demissão em julho do ano passado. João Augusto, porém, continua à cata de negócios na Petrobras. Recentemente, participou da venda da sociedade que a Petrobras tem numa distribuidora de energia na Argentina. “Você não vai acreditar, mas não preciso de políticos para ganhar dinheiro. Ganho mais sem eles”, diz João Augusto, antes de se levantar e ir embora. Paguei a conta.
ATUALIZAÇÃO: PDMB nega ter recebido propina.

O PMDB divulgou nota neste sábado (10) sobre a reportagem de ÉPOCA. O presidente nacional do partido, senador Valdir Raupp, afirmou, no comunicado, que a legenda “jamais recebeu os recursos mencionados no texto”. Raupp disse tambem que João Augusto Henriques não tinha autorização ou delegação para falar ou atuar em nome do PMDB”.

Abaixo, a íntegra da nota do PMDB:

"Sobre a reportagem da revista Época, o PMDB esclarece que jamais recebeu os recursos mencionados no texto. A declaração prestada ao Tribunal Superior Eleitoral sobre a campanha de 2010 registra todos valores que o Diretório Nacional arrecadou naquele ano, e foi a única forma pela qual o PMDB financiou sua campanha. Não houve doação da Construtora Odebrecht. É inverídica e fantasiosa afirmação em contrário. João Augusto Rezende Henriques não tinha autorização ou delegação para falar ou atuar em nome do PMDB, nem para buscar recursos para a campanha."

Ouça os principais trechos da entrevista de João Augusto Henriques
"Do que eu ganhasse, eu tinha que dar para o partido. Não tinha jeito. Era o combinado."

Neste trecho, o lobista João Augusto confirma que repassava um percentual (propina) ao PMDB do que arrecadasse junto às fornecedoras da Petrobras.



"Se fizesse alguma na área internacional, tinha que ajudar (o PMDB)"

Neste trecho, João Augusto explica que pagava propina ao PMDB em contratos que fechasse na área internacional, sob controle do partido, mas não nos contratos fechados em outras diretorias da Petrobras.



Operação Odebrecht: a propina para a campanha de Dilma Rousseff: "Mandei dar uma grana para o PT"

Neste trecho, o lobista João Augusto explica como determinou aos apadrinhados do PMDB na Diretoria Internacional da Petrobras que contratassem a Odebrecht para realizar serviços ambientais - um contrato de quase US$ 1 bilhão. Diz como o PMDB pôs fim à CPI da Petrobras, em 2009, em troca da promessa de José Sérgio Gabrielli, do PT, então presidente da estatal, de não impôr dificuldades à assinatura do contrato. E detalha como acertou propina dentro da Petrobras, para o PMDB – e até para a campanha presidencial de Dilma Rousseff, por meio do tesoureiro João Vaccari. "Quem ajuda, ganha", diz. "Todo contrato é assim."



Operação San Lorenzo: o repasse da propina ao PMDB de Minas

Aqui, o lobista João Augusto explica que repassaria, ao PMDB, o que fosse arrecadado junto ao empresário argentino Cristóbal Lopez, que pagaria propina para conseguir comprar a refinaria de San Lorenzo. Diz, também, que o repasse era centralizado pelo deputado Fernando Diniz (que veio a morrer logo depois), então líder da bancada de dez deputados do PMDB de Minas.



"(A propina para o PMDB) podia ser 60%, 70%. Era caso a caso"

Neste trecho, o lobista João Augusto diz que, do US$ 6,8 milhões arrecadados em propina na venda da refinaria San Lorenzo, cerca de US$ 5 milhões seriam repassados ao PMDB. Ele também explica que o valor a ser repassado ao partido dependia da operação.



Operação Vantage: a propina de US$ 10 milhões ao PMDB

Neste ponto, o lobista João Augusto diz como operou a contratação, por US$ 1,6 bilhão, do navio-sonda Titanium Explorer, da empresa Vantage, junto à Diretoria Internacional da Petrobras. Ele diz que repassou US$ 10 milhões de sua comissão ao PMDB.



O repasse da propina na Operação Vantage.

Neste trecho, João Augusto diz que repassava o dinheiro da propina do PMDB, no caso da contratação do navio-sonda Titanium Explorer, conforme recebesse da empresa Vantage. "Foi pago até 2012", ele diz.



"Não sei como era a divisão. (O dinheiro) era para o grupo (PMDB da Câmara)"

Neste trecho, João Augusto explica que, sempre que possível, pedia às fornecedoras da Petrobras, como a Vantage, que remetessem o dinheiro da propina diretamente aos deputados. E diz que o partido usava doleiros para receber os pagamentos. "Era muita gente (recebendo)", diz.



"Cumpri tudo que tinha prometido com eles. Mas nem todos mereciam"

Aqui, João Augusto critica os deputados, mas confirma que cumpria os acordos de propina.



"Depois que você conhece os bastidores, você não dorme mais tranquilo"

Aqui, João Augusto reclama da cobrança dos deputados do PMDB, que insistiam em pedir dinheiro para campanhas políticas – e diziam que o então parceiro de João Augusto na Petrobras, Jorge Zelada, diretor da internacional da empresa, não "mandava dinheiro".



Fonte: Época