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sexta-feira, 4 de abril de 2014

CPI da Espionagem aponta Brasil vulnerável e propõe nova legislação


O relatório final da CPI da Espionagem confirma a vulnerabilidade do Brasil e sugere uma lei que determine o fornecimento de dados de cidadãos e empresas nacionais a organismos no exterior apenas mediante autorização judicial, segundo mostra documento obtido com exclusividade pela Reuters.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi instalada no Senado Federal em setembro de 2013, após uma série de revelações de espionagem no Brasil pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), com base em documentos vazados pelo ex-prestador de serviços da agência norte-americana Edward Snowden.

"Os acontecimentos que motivaram esta CPI assinalam... o despreparo do poder público no Brasil para fazer frente às ações de inteligência de outros governos e organizações", atesta o relatório de 301 páginas, que será divulgado oficialmente na próxima quarta-feira, 9 de abril.

O relatório da CPI --que foi presidida pela autora do requerimento de criação da comissão, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), e que teve como relator o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES)-- vai na contramão de declarações da presidente Dilma Rousseff em setembro passado na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, quando afirmou que "o Brasil sabe proteger-se".

Até comunicações de Dilma com seus assessores diretos teriam sido monitoradas pela NSA, de acordo com as denúncias de Snowden.

Ao apontar que há "profunda vulnerabilidade do Estado brasileiro e de nossa população a ações de espionagem" e que isso continuará a ocorrer, a CPI conclama que o país "desenvolva mecanismos de proteção do conhecimento e de segurança cibernética".

Segundo o relatório, algumas das vulnerabilidades são consequências da própria infraestrutura de comunicações que o Brasil tem adotado ao longo dos anos. A maioria dos cabos submarinos para ligações internacionais passa por Miami, mesmo que os EUA não sejam o destino final da chamada.

"Estamos entregando informação para eles (os norte-americanos)", alertou o especialista em segurança cibernética Paulo Pagliusi, um dos ouvidos pela CPI, em uma entrevista no Rio de Janeiro.

Há ainda limitações do próprio sistema de inteligência brasileiro. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin), por exemplo, não pode interceptar ligações e tem orçamento apertado. Dos quase 530 milhões de reais previstos para a Abin em 2012, 467,2 milhões de reais tinham como destinação gastos com pessoal e encargos sociais, 55,7 milhões de reais para outras despesas correntes e apenas 4,9 milhões de reais para investimentos.

"Não há interesse em investir em inteligência. E se tem medo da inteligência", ressaltou o consultor legislativo do Senado e ex-agente da Abin, Joanisval Brito Gonçalves.

O relatório final da CPI sugere mudanças que aumentem a segurança cibernética do Brasil em quatro grandes linhas de atuação: tecnológica, pessoal, processual e institucional.

A construção de cabos submarinos que não passem pelos EUA, o lançamento de satélite brasileiro e o desenvolvimento de tecnologia nacional são algumas das recomendações. Investimentos em sistemas de inteligência, inteligência de sinais e criptografia também devem ser priorizados.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) recomenda, entre outras coisas, que o governo crie mecanismos de controle para monitorar o ciclo completo de desenvolvimento e produção de hardware e software no país.

Sem indícios de autoria

O relatório da CPI mostra que não foi possível confirmar a "materialidade de crime" relacionada às denúncias de espionagem divulgadas pela imprensa em 2013, com investigações inconclusivas sob essa ótica.

A CPI avalia que a Polícia Federal terá dificuldade para comprovar delito e indícios de autoria.

"Os depoimentos colhidos nos autos do inquérito são todos, infelizmente, muito evasivos, de modo que até então a PF sequer tinha ideia de onde teria sido efetuada a interceptação clandestina: se no território brasileiro, nos cabos submarinos, nos satélites geoestacionários ou se as informações foram simplesmente cedidas pelas empresas de serviços de Internet, a partir de servidores localizados nos EUA", destaca o relatório.

Projeto de lei

O relatório da CPI traz em anexo um projeto de lei que exige autorização judicial prévia para o acesso por autoridades e organismos internacionais a dados de brasileiros e empresas nacionais.

Ao mesmo tempo em que destaca que os brasileiros têm direito à inviolabilidade e ao sigilo do fluxo de suas comunicações, salvo por ordem judicial, a CPI reconhece que "faz-se necessário assegurar o livre fluxo de informações entre autoridades governamentais e tribunais estrangeiros para a investigação de atos ilícitos".

Pelo projeto, o Poder Judiciário deverá elaborar e publicar semestralmente relatório com os pedidos formulados por organismos estrangeiros a respeito de dados de comunicações de brasileiros ou de empresas nacionais, "indicando o número, a natureza das requisições e se os dados foram ou não fornecidos".

"Um dos principais problemas apurados por esta CPI diz respeito à falta de controle e de transparência a respeito das requisições de dados de pessoais naturais e jurídicas brasileiras por autoridades governamentais e tribunais estrangeiros", argumenta a comissão.

"Com este projeto de lei do Senado, espera-se suprir essa lacuna e permitir que o Poder Judiciário brasileiro exerça o controle necessário sobre esses procedimentos, divulgando de forma transparente essas requisições", conclui o documento.

Fonte: Reuters

quinta-feira, 3 de abril de 2014

CPI da Petrobrás é uma farsa, diz Jarbas Vasconcelos


O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) afirmou durante discurso na tribuna do Senado, na noite dessa quarta-feira, 2, que o PT, o governo e parlamentares da base aliada da presidente da República uniram-se para acabar com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar irregularidades na Petrobrás. Disse que assinou o requerimento de criação da CPI e, ao perceber que está sendo feito de bobo, arrepende-se até do dia em que nasceu. Mas não vai retirar a assinatura. Ele atacou o PT, que tem afirmado a todo instante que o Senado não tem condições de apurar nada em relação à Petrobrás. Disse que tem procurado uma convivência civilizada com todos os partidos, mas não pode aceitar que o PT queira - a ele pessoalmente, e a outros partidos e parlamentares - "ensinar como se deve fazer política", sobretudo no campo ético. Vasconcelos lembrou que o PT está com sua antiga cúpula presa na Papupa, por causa do escândalo do mensalão.

"Eu não posso aceitar que um partido que está com a sua ex-cúpula, com José Dirceu, o ex-capitão do time de Lula recolhido na Papuda. O tesoureiro do partido (Delúbio Soares), que meteu a mão, comeu dinheiro, está na Papuda. José Genoino, que foi líder do partido, está na Papuda. O João Cunha - que presidiu a Câmara -, na Papuda."

Vasconcelos lembrou também que Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás, está preso. E foi ele que fez o contrato da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. "Eu era Governador do Estado, e a Petrobrás ficou de entrar com 60%, e a PDVSA (petroleira venezuelana) com 40%. Eu recepcionei, naquela época, o folclórico coronel Hugo Chávez e recepcionei o presidente Lula lá no Palácio das Princesas", disse o senador no discurso.

Segundo ele, a assinatura do contrato foi semelhante aos convênios feitos entre dois municípios dos mais inexpressivos do Brasil. "Um diz vamos abrir uma bodega, você entra com 60%, o outro bodegueiro entra com 40%. Depois, o que entrou com 40% diz que não vai pagar mais a bodega. E o bodegueiro aceita" , disse ele, lembrando que, como noticiou o Estado, a Venezuela não honrou sua parte no contrato. "Foi esse o contrato que foi feito num palácio. Esse documento tem minha assinatura como governador do Estado de Pernambuco".

Jarbas Vasconcelos lembrou que a CPI da Petrobrás, criada no Senado, deveria apurar tudo o que ocorreu, para saber por que foi que a PDVSA não pagou. "E, se não pagou, por que não pagou e qual foi a explicação que deu".

Ele afirmou que a PDVSA não tinha experiência em águas profundas, embora fosse uma empresa maior do que a Petrobrás na época. "Então, resolveu entrar no Brasil através do Porto de Suape e através da Refinaria Abreu e Lima. Nós ajudamos em tudo. Até o nome de Abreu e Lima fomos nós que sugerimos colocar, para sensibilizar ainda mais o coronel Hugo Chávez. Assim tudo foi feito. E por que a PDVSA não honrou o compromisso? E fica por isso mesmo".

Paulo Roberto da Costa, o responsável pelo contrato, foi chamado de "ladrão" por Vasconcelos. "Esse ladrão, camarada, está aqui acusado de receber dinheiro, uma Land Rover do senhor Alberto Youssef, um doleiro... Esse mesmo doleiro agora - segundo a imprensa - deu dinheiro, deu um voo especial para o deputado André Vargas (PT), do Estado do Paraná, que é nada mais nada menos do que primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados", lembrou o senador.

Em seguida, ele voltou a fazer críticas ao PT. "Então, como é que um partido que tem a ex-cúpula dirigente - o capitão do time de Lula - na Papuda quer dar lições de moral para a gente aqui?". Ele lembrou que o PT quer impedir que o Senado apure as irregularidades cometidas pela Petrobrás. Para o senador Jarbas Vasconcelos, o Senado vai ser ridicularizado. "Quer dizer, nós estamos reduzidos a um papel ridículo, ridículo. Era muito melhor deixar de ser senador da República, procurar outra coisa para fazer, porque, se a gente não pode...".

"É uma farsa dizer que o Ministério Público Federal está apurando isso. Não está apurando", afirmou Vasconcelos. Ele lembrou que uma comissão de senadores foi até o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedir a apuração.

Para Vasconcelos, do jeito que as coisas vão no Senado, a CPI não vai dar em nada. Por isso, afirmou que está arrependido até o dia em que nasceu. "Eu me arrependo da hora em que nasci quando assinei esta CPI. Eu não deveria ter assinado. Mas, em política, tudo o que a gente tem que explicar, a complicação já vem aí. Assim, se eu não tivesse assinado essa CPI, eu estava com a minha consciência tranquila, mas tinha que dar satisfação àqueles que confiaram em mim e aos meus amigos, porque aqui eu tenho a conduta que tenho e não assinei essa CPI".

"Essa CPI não vai dar em nada", continuou ele. "Essa CPI vai ser uma farsa! Em um ano de Copa do Mundo, de eleição, a gente vai compactuar com uma coisa que não vai funcionar - não vai funcionar! Então, é muito melhor a gente ficar em cima do Ministério Público para que se junte ao Tribunal de Contas, que se junte à Polícia Federal - essa Polícia Federal que está cerceada, essa Polícia Federal que o PT e o governo querem, os dois, que seja uma polícia de partido, uma polícia de governo, e não uma polícia de Estado. A Polícia Federal está completamente esvaziada. A Polícia Federal está esvaziada, sucateada; as pessoas estão deixando a Polícia Federal para irem para outras instituições porque o PT, hoje, quer que ela seja partidarizada; quer que, quando for fazer uma investigação para pegar pela gola um corrupto, primeiro avise para que as pessoas de interesse da base partidária também sejam avisadas".

Jarbas Vasconcelos afirmou que o PT pedia a instalação de CPI para qualquer coisa quando era oposição e que votou contra as boas iniciativas da política. "Eu não posso aceitar que um partido que pedia CPI contra tudo e contra todos, um partido que votou contra Plano Real, que votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, um partido que ameaçava entrar com CPI contra tudo e contra todos venha, hoje, querer ensinar a gente aqui a não fazer CPI, fazendo a gente de bobo, de tolo, de idiota."

O senador afirmou ainda que o setor elétrico está quebrado, "completamente quebrado pela presidente Dilma. Hoje sai, inclusive, uma injeção de R$8 bilhões a R$ 9 bilhões para atender o setor, que ela quebrou, para baixar as tarifas de luz e tirar proveito eleitoral dessa coisa".

Fonte: JusBrasil

terça-feira, 1 de abril de 2014

Drone não identificado cai em ilha sul-coreana próxima à fronteira marítima com a Coreia do Norte


Um avião não tripulado caiu em uma ilha sul-coreana perto da fronteira marítima com a Coreia do Norte, informou nesta terça-feira uma autoridade do Ministério da Defesa da Coreia do Sul, desencadeando uma investigação sobre se a aeronave era de Pyongyang.

O drone caiu na ilha de Baengnyeong por volta das 16h de segunda-feira (3h da manhã no horário de Brasília), quando a Coreia do Norte disparou centenas de tiros de artilharia no mar perto da disputada fronteira marítima. Isso provocou uma semelhante demonstração de força da Coreia do Sul como resposta.

Os militares sul-coreanos tentam verificar de onde o drone tinha vindo e qual o seu propósito poderia ter sido, e também investigam qualquer ligação possível com operações de espionagem da Coreia do Norte, informou uma autoridade militar, que pediu para não ser identificado.

A Coreia do Norte disparou mais de 100 tiros de artilharia em águas sul-coreanas, como parte de um exercício na segunda-feira, o que levou o Sul a responder o fogo.

A agência de notícias Yonhap, citando uma autoridade sul-coreana não identificada do governo, informou que o drone tinha de dois a três metros de comprimento e composto por um motor japonês e peças chinesas, assim como uma pequena câmera.

A Yonhap também disse que o drone é semelhante a um outro encontrado em uma cidade de fronteira no mês passado.

A Coreia do Norte divulgou imagens de TV no ​​ano passado de drones que foram modificado para colidir com alvos pré-determinados, mas acredita-se que não são capazes de realizar ataques aéreos ou voos de vigilância de longo alcance.

Os aviões de controle remoto pequenos, disponíveis comercialmente, podem ser modificado para carregar câmeras de vídeo e outros equipamentos de vigilância.

Fonte: Extra / Terra

sexta-feira, 28 de março de 2014

Com Marco Civil, funcionários do Estado terão dados dos usuários sem necessidade de autorização judicial, alerta professor da USP


Professor da EACH/USP altera para o fato de que, com o Marco Civil aprovado, funcionários do Estado poderão ter acesso a dados de, por exemplo, usuários que realizarem publicações ou comentários no Facebook sem necessidade de autorização judicial

A grande inovação nas últimas versões do Marco Civil da Internet diz respeito à proteção da privacidade que passou a ser objeto de regulação mais ampla depois das denúncias de espionagem dos Estados Unidos por Edward Snowden. Há dois eixos principais sobre a questão no Marco Civil: a guarda de logs (registros de conexão e de acesso) e os limites para guarda e uso de dados pessoais.

A restrição à guarda e uso de dados pessoais não estava prevista no projeto original já que havia uma iniciativa paralela e complementar ao Marco Civil que era a Lei de proteção de dados pessoais (elaborada pelo Ministério da Justiça e há anos aguardando um parecer da Casa Civil). Após as denúncias de Snowden, alguns elementos básicos da lei foram antecipados no Marco Civil e aparecem nos artigos 7o e 16o.

Art. 7º O acesso à Internet é essencial ao exercício da cidadania e ao usuário são assegurados os seguintes direitos: VI - a informações claras e completas constantes dos contratos de prestação de serviços, com detalhamento sobre o regime de proteção aos registros de conexão e aos registros de acesso a aplicações de Internet, bem como sobre práticas de gerenciamento da rede que possam afetar sua qualidade; e VII - ao não fornecimento a terceiros de seus dados pessoais, inclusive registros de conexão, e de acesso a aplicações de Internet, salvo mediante consentimento livre, expresso e informado ou nas hipóteses previstas em lei; VIII - a informações claras e completas sobre a coleta, uso, armazenamento, tratamento e proteção de seus dados pessoais, que somente poderão ser utilizados para finalidades que: a) justificaram sua coleta; b) não sejam vedadas pela legislação; e c) estejam especificadas nos contratos de prestação de serviços ou em termos de uso de aplicações de Internet. IX - ao consentimento expresso sobre a coleta, uso, armazenamento e tratamento de dados pessoais, que deverá ocorrer de forma destacada das demais cláusulas contratuais; X - a exclusão definitiva dos dados pessoais que tiver fornecido a determinada aplicação de Internet, a seu requerimento, ao término da relação entre as partes, ressalvadas as hipóteses de guarda obrigatória de registros previstas nesta Lei;

(...)

Art. 16. Na provisão de aplicações de Internet, onerosa ou gratuita, é vedada a guarda:

I - dos registros de acesso a outras aplicações de Internet sem que o titular dos dados tenha consentido previamente, respeitado o disposto no art. 7º; ou

II - de dados pessoais que sejam excessivos em relação à finalidade para a qual foi dado consentimento pelo seu titular.

Os incisos VI a X do artigo 7º estabelecem que a coleta de dados pessoais e o uso que se fará dos dados precisam ser informados ao usuário e os dados coletados só poderão ser utilizados para aquele fim e não poderão ser repassados a terceiros sem o consentimento do usuário. Esses direitos são os mais elementares para impedir que empresas coletem dados para fins outros que não o da prestação do serviço ou da apresentação de publicidade e que não possam legalmente repassar dados para terceiros sem a autorização expressa do usuário, como acontece hoje. O inciso X diz ainda que o usuário poderá solicitar a destruição dos dados quando deixar de usar um serviço. Regulação adicional como a que dispõe sobre a interconexão de bancos de dados foi deixada para a tão aguardada Lei de proteção de dados pessoais. O artigo 16 proíbe que um serviço monitore o acesso a outros serviços sem o consentimento do usuário -- por exemplo, que uma vez conectado ao Facebook ou ao Google, o acesso a outros sites parceiros dessas empresas seja monitorado e os dados enviados para elas sem o consentimento do usuário.

O controverso dispositivo que obrigava a guarda dos dados no Brasil por prestadores comerciais de serviço caiu. Ao contrário de outros comentadores, eu sou da opinião que ele era relativamente inócuo do ponto de vista da proteção da privacidade, mas que teria efeitos positivos de política industrial ao criar custos para atuação de empresas transnacionais no Brasil, abrindo espaço para a competição de atores nacionais. De qualquer modo, sua supressão apenas retira um ponto desnecessário de divisão entre aqueles que querem ver o Marco Civil aprovado.

Os artigos 13 a 15 tratam da guarda de logs, isto é, dos registros de conexão e de acesso a sites e serviços:

Art. 13. Na provisão de conexão à Internet, cabe ao administrador de sistema autônomo respectivo o dever de manter os registros de conexão, sob sigilo, em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo de um ano, nos termos do regulamento.

(...)

Art. 14. Na provisão de conexão, onerosa ou gratuita, é vedado guardar os registros de acesso a aplicações de Internet.

Art 15. O provedor de aplicações de Internet constituído na forma de pessoa jurídica, que exerça essa atividade de forma organizada, profissionalmente e com fins econômicos, deverá manter os respectivos registros de acesso a aplicações de internet, sob sigilo, em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo de seis meses, nos termos do regulamento.

O artigo 13 estabelece que os dados de conexão, isto é, os dados de que Fulano que tem tal cadastro, acessou a internet durante tal período com tal IP, serão mantidos por um ano -- prazo que é prorrogável se houver autorização da justiça. O artigo 15 estabelece que os serviços de Internet (por exemplo, os sites) devem manter registros de acesso (do tipo IP tal utilizou o site em tal dia e horário) por seis meses, também prorrogáveis com autorização de um juiz. A necessidade de guarda de registro de serviços só se aplica a empresas, mas um juiz pode estender a obrigação a provedores de serviços não comerciais. O artigo 14 estabelece que o provedor de acesso à Internet -- por exemplo, a Telefônica -- não pode monitorar os serviços que você utiliza (por exemplo, os sites que você acessa).

A guarda de registros é relevante para a proteção da privacidade porque o cruzamento dos registros de conexão e acesso permite estabelecer, por exemplo, que Fulano acessou no dia tal, em tal horário a página do MST ou do Black Bloc ou, ainda, que postagem que convocava manifestação publicada no dia tal e à hora tal vieram do IP tal cujo usuário cadastrado é Fulano.

A discussão sobre os prazos para guarda de registros é, na minha opinião, o principal revés no que diz respeito à proteção à privacidade. Versões anteriores do Marco estabeleciam prazo de seis meses para a guarda de registros de conexão e a proibição da guarda de registros de acesso a serviços. No entanto, houve muita pressão de órgãos de investigação (polícias e Ministério Público) para a guarda desses dados e a atual redação é provavelmente o equilíbrio possível.

Por fim, o preocupante parágrafo 3º do artigo 10 estabelece uma exceção para as autoridades administrativas que podem ter acesso aos dados cadastrais sem autorização judicial:

Art. 10. A guarda e a disponibilização dos registros de conexão e de acesso a aplicações de Internet de que trata esta Lei, bem como de dados pessoais e do conteúdo de comunicações privadas, devem atender à preservação da intimidade, vida privada, honra e imagem das partes direta ou indiretamente envolvidas. § 3º O disposto no caput não impede o acesso, pelas autoridades administrativas que detenham competência legal para a sua requisição, aos dados cadastrais que informem qualificação pessoal, filiação e endereço, na forma da lei.

Essa injustificável exceção repete a porta deixada aberta ao Estado para a violação da privacidade que também está na última versão pública da Lei de proteção de dados pessoais. O parágrafo terceiro diz que as proteções trazidas pelo Marco Civil não vão impedir que o Estado tenha acesso a dados cadastrais, seja de provedores de conexão, seja de provedores de serviço -- em outras palavras, autoridades do Estado poderão solicitar tanto a empresas como a Telefônica, como a empresas como Facebook e Google os dados cadastrais de usuários sem autorização judicial -- poderão ter acesso, por exemplo, aos dados cadastrais de um login que fez comentários de natureza política no Facebook, no Twitter ou num blog sem precisar de autorização de um juiz. As implicações para a privacidade são óbvias.

Fonte: JusBrasil

quarta-feira, 26 de março de 2014

Ação para investigar Dilma por compra de refinaria é "eleitoral", diz Cardozo


O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, classificou nesta terça-feira de eleitoreira uma representação de parlamentares na Procuradoria-Geral da República pedindo uma investigação da conduta da presidente Dilma Rousseff na negociação da Petrobras para comprar uma refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos.
Cardozo convocou uma entrevista coletiva para apontar supostas "omissões e imprecisões" da representação e dizer que esses parlamentares estavam criando "factoides". Para ele, os congressistas não teriam apresentado fatos novos que justificassem uma investigação.
"(A representação) nos parece fundada na intenção de focar na presidente uma ação que não lhe diz respeito", disse o ministro. "Não acho que faz parte do processo político uma representação com claro objetivo eleitoral", acrescentou.
A representação foi feita por sete senadores e um deputado de vários partidos e pede que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, analise se a presidente não cometeu crime de "prevaricação", já que era presidente do Conselho de Administração da Petrobras em 2006, ano em que a compra da refinaria foi aprovada.
Cardozo disse ainda que a representação omite informações para "turvar" o ambiente político. Segundo ele, todas as informações citadas na representação ao procurador-geral já são alvo de investigação da Polícia Federal, do Ministério Público, do Tribunal de Contas da União e da Controladoria-Geral da União.
"Não há investigação contra pessoas, há investigação de fatos", argumentou o ministro para desqualificar a ação dos parlamentares, negando que a crítica tenha sido feita a pedido da presidente.
Os problemas com o negócio em Pasadena são investigados desde 2008 pelo Ministério Público e pela própria Petrobras, mas ganharam novo contorno na semana passada depois que Dilma, que presidia o Conselho de Administração da estatal na época da aprovação da compra, afirmou que a operação se baseou em um documento "técnica e juridicamente falho".
Em 2006, a estatal comprou 50 por cento da refinaria no Texas, Estados Unidos, por 360 milhões de dólares, sendo 170 milhões de dólares referentes à compra de estoque de óleo, mas, em seguida, amargou uma batalha judicial com o parceiro no projeto, a Astra, e acabou desembolsando um total de 1,2 bilhão de dólares para adquirir a refinaria integralmente.

Os valores e os motivos da compra são agora alvo de questionamentos. Além da petição para que o procurador-geral investigue o caso, os partidos de oposição se articulam desde a semana passada no Congresso para criar uma CPI sobre o assunto.
Fonte: Reuters

sexta-feira, 21 de março de 2014

Vinte anos depois, polícia de Seattle reabre investigação à morte de Kurt Cobain


Quase duas décadas depois da morte de Kurt Cobain, líder dos Nirvana, a polícia de Seattle reabriu a investigação, avança a estação de televisão local KIRO 7.

Segundo alguns agentes ouvidos pela estação, quatro rolos contendo fotografias da cena da morte foram revelados no mês passado depois de terem passado quase 20 anos esquecidos num cofre da polícia.

As imagens, apesar da deterioração da película, têm melhor qualidade do que as polaroids usadas na investigação original.

A polícia está agora reavaliando a investigação.

Kurt Cobain foi encontrado morto na sua casa a 08 de abril de 1994 com um ferimento de bala na cabeça. A sua morte foi considerado um suicídio e a autópsia revelou que o músico teria injetado uma dose letal de heroína. Um bilhete de suicídio foi encontrado no local.

Fonte: VozDaRússia / DiárioDigital

segunda-feira, 10 de março de 2014

Entidades dos EUA querem investigação da compra do WhatsApp pelo Facebook


Organizações norte-americanas se mostraram preocupadas com a privacidade dos usuários do app após possível aquisição pela maior rede social do mundo.

A Comissão Federal de Comércio (FTC) dos EUA deveria investigar a proposta de compra do WhatsApp pelo Facebook no valor de 19 bilhões de dólares – e possivelmente bloqueá-la – por causa do seu possível impacto na privacidade dos usuários, afirmaram dois grupos de privacidade em um documento nesta quinta-feira, 6/3.

Enquanto o WhatsApp demonstrou um “forte comprometimento com a privacidade do usuário”, o atual serviço de mensagens do Facebook coleta e armazena “virtualmente todos os dados disponíveis dos usuários”, afirmaram os grupos Electronic Privacy Information Center e Center for Digital Democracy no pedido.

O WhatsApp prometeu aos usuários que não iria reter ou vender informações pessoais, e muitos usuários escolheram o serviço com base nessa proteção de privacidade, mas o Facebook já coletou dados de usuários de empresas que comprou anteriormente.

“Os usuários do WhatsApp confiam que o WhatsApp vai manter a privacidade em suas comunicações”, afirmou Julia Horwitz, conselheira de proteção dos consumidores do EPIC. “Nosso pedido pede que a FTC investigue se existem proteções de privacidade suficientes para continuar a proteger os dados dos usuários do WhatsApp de serem acessados pelo Facebook – que (para muitos usuários) era o principal recurso que tornou o WhatsApp tão interessante em primeiro lugar.”

Se o Facebook começar a coletar os dados dos usuários do WhatsApp, isso seria uma prática comercial ruim por causa das promessas anteriores do WhatsApp sobre o assunto, apontam os grupos. “A falha do WhatsApp em explicar adequadamente que esse compromisso com a privacidade estava sujeito a condições diferentes iria violar as regras da FTC”, afirmam.

Se o FTC não bloquear a compra do WhatsApp pelo Facebook, deveria “proteger” os usuários do app da coleta de dados feita pela rede social, de acordo com os grupos.

Uma porta-voz do Facebook, por sua vez, disse que a compra não vai mudar as políticas de privacidade do WhatsApp. “O objetivo do Facebook é trazer mais conectividade e utilidade ao mundo ao entregar os principais serviços de Internet de maneira eficiente e acessível – essa parceria vai ajudar isso a acontecer.”

Fonte: ComputerWorld / CNet / PCWorld /